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quarta-feira, dezembro 12

Acordei pensando em uma provável viagem pelos caminhos já percorridos por Guimarães Rosa. Estranho esse pensamento que me invadiu a mente. Por um instante, os meus medos se calaram, senti uma coisa boa e inquieta percorrendo por aqui. Uma coisa de gente que some na vida, faz outras escolhas, vive outros amores e retorna para rever os que não foram escolhidos mas que nunca foram esquecidos. Retornar. Palavra boa. Retornar deve ser como nascer para dentro, ouvir os sons silenciosos daquilo que está tão perto, mas tão perto da gente que já nem sabemos mais em que camada da derme está. Retornar. Palavra que angustia. Deve ser uma tentativa de preencher o que falta. Mas alguma coisa sempre falta. Aliás, desejo bobo este meu de viajar. Sempre haverá uma coisa que falte. Sempre haverá diferentes formas de e lugares de onde olhar o mesmo dia.

sexta-feira, junho 12

já estava assim desde um tempo atrás.
agora resolvi olhar para ele.
estava cansado. e não sei pq.
sentia tudo pesado.
sem forças para seguir.
os sonhos estranhos pontuam a toada.
os cigarros trazem à noite escura
o branco de outras enluaradas.
o que não é bom. mas é o que alivia.

domingo, maio 24

na verdade estar aqui e ser assim,
afeito ao que é amargo e às promessas possíveis
e ainda assim intangíveis de amor,
é simplesmente a vontade
de se estar à altura desse momento único,
recortado no tempo,
que chamam de vida.

terça-feira, maio 12

eu não estou inspirada neste momento e o gosto de cigarro e de cerveja em minha boca, mais a frustração de estar sem sexo me impedem de pensar em qualquer coisa que não seja um banho quente e em meus lençois finos.

aqueles novos, que eu comprei?

não, me apetessem mais os velhos e surrados que carregam minhas memórias, minhas dores e meus sorrisos (bem, esquece esta coisa de sorriso, não seria esta a palavra correta para esse mover de lábios em sosláio). me passe um cigarro?

sim, mas coloque uma música, é preciso ter som nisso tudo.

e eu apenas queria um texto em quatro mãos? para o resto... eu preciso comer mais feijão. não ria das minhas preocupações tão chocolate, são apenas essas coisas que fazem do universo masculino lugar comum que qualquer camiseta regata resolve, entende? por isso talvez eu seja menos afeito a elas. sou mais o rosa, o andar com cuidado, como caminhar em nuvens...

terça-feira, abril 28

- Interesses?
- Ora! Sons do Vina e do Tom e as cores emaranhadas de Pollok. Sem contar as palavras escritas de Carlos e de Fernando e as gargalhadas de Elis. Opa! Esqueci das linhas do Guima e das primas do Guinga.

domingo, abril 26


No primeiro momento,

embalados ao som da roda do Oleiro e seduzidos pelo desejo de tocar e dar formas aos sentimentos, eles se entregaram à possibilidade de forjar o amorfo. E do desejo em comum, surgiram os primeiros traços de amor. Era sereno e indecifrável, abrigava todas as formas, cores, sons e olhares.

No segundo momento,

As mãos se enlaçavam ao que era barro e desse jogo de cumplicidade nasciam silhuetas e sombras que se transformavam em artefatos poéticos. Máscaras, peças sacras e totens, brotavam como fossem todos parte daquele ritmo tênue da máquina e do calor tépido do forno.

Num terceiro momento – como já não havia como: raiou a arte, que, antes de todos os preceitos e conceitos estéticos, se fazia apenas como deveria ser: a explosão de sentimentos. Encontro do outro, de si e da forma da coisa que será o elo entre duas ou mais pessoas que se encontram.

domingo, dezembro 28

: somos humanos em busca

- a cada rasgar de ventre -

das certezas que garantam
o brilho branco do sorriso
que satisfaz a alma.

- a dor do órgão
não vale um espasmo do gozo
sofrido,


sem o ato.




domingo, novembro 23

aprender a caminhar e
nunca se esquecer de amar.
coisa de caminhante, acostumado com trilhas incertas e tempos nublados.
há pouco na vida que realmente nos importa.
uma chávena de café fresco,
passado e moído à hora.
um cão amigo.
e uma companheira,
aquela que com apenas um olhar
e com as pontas dos pés nos desnuda.
faz da gente ser frágil - como uma criança.














Se já nem sei
O meu nome
Se eu já não sei parar

Viajar é mais
Eu vejo mais
A rua, luz, estrada, pó
O jipe amarelou

Manoel, o audaz
Manoel, o audaz
Manoel, o audaz, vamos lá

Viajar
E no ar livre
Corpo livre
Aprender ou mais, tentar

Manoel, o audaz
Manoel, o audaz
Iremos tentar
Vamos aprender
Vamos lá


Manoel, o Audaz - Toninho Horta e Fernando Brant


terça-feira, novembro 18

Que a mulher que eu amo seja sempre amada e feliz e que tenha filhos mais bonitos e espertos dos que eu poderia dar. Que eles nasçam em berços nobres, como um beijo que se multiplica em uma noite de 6 de janeiro.
Que longe disso tudo que sou esteja sempre perto da felicidade e seja leve e livre e calma. Que um dia ela tenha em intensidade maior este amor que adubo por ela, ainda menos doente, mais prazeroso, mais provido das partes boas do humano, que não posso dar, por ser um.
Que a mulher que eu amo seja sempre amor e carinho e livros para os seus, alento para os que ainda não nasceram, boca para os que ainda não falam e som para os que se calam diante das palavras inaudíveis.
Que a cada dia ela plante seus amores mais fundo, até que chegue o dia em que não terá mais de se preocupar com a estupidez humana.
Que a mulher que eu amo entenda que a outra metade não é má, apenas quer transpassar os muros que me impedem de lhe amar.

ao eterno retorno.

terça-feira, novembro 11

"(...)se as folhas caem,
se os navios param,
se o vento norte
apagou a lanterna,
eu tinha nas minhas mãos somente sonhos.
Eu tinha nas minhas mãos somente sonhos!"

(Manoel Caixa D'Água, poeta paraibano morto em João Pessoa.)

domingo, março 23



Eu já não consigo mais chorar.
A dor não é só sua, baby, e muito menos as noites em claro.
Sei do que está falando.
Eu vago lá fora, sem rumo, em um mundo de cores desconexas e sintéticas e de ruídos dilatados,
Mas, no infinito do quarto, quando apago o cigarro e fecho o livro ou calo o disco, estou tão só quanto você.
E o que resta aos sentidos intumescidos é apenas o seu soluçar que bebe e se farta dos meus pensamentos mais banais. Eu já te vi chorar, baby.
O aprender estar bem é só uma forma de ludibriar o cotidiano e seguir seguindo.
Se me senti o único, saiba que foi amada como nenhuma foi.
Uma coisa é certa, baby, eu não sei ser durão.

quinta-feira, janeiro 10

Me espere aqui. Vou me levar ali, e não volto mais. Me espere aqui. Deixei de me deixar ir, hoje me trago aos lugares diversos, mas sem reversos. Não. E não adianta esse choro contido-moído desta falsa falta que de mim nunca sentiu. Tome o seu riso macio que corria do rosto leve - guarde-o - e não obriga a mais este que cala - ventre seco. Me espere aqui. Não volto. E não corra, me achar em talvez dias felizes que se façam das manhãs que talvez nasçam com sol?, são chocolates. Não estarei lá. Eu fujo do sol. Sou escuridão à meia luz de velas. Lânguida claridade. Me espere aqui. Eu não volto. Não volte o relógio. Não sei de ser humano que tenha vivido minutos passados, mesmo que neles fosse mais fácil me encontrar. Não vou voltar. Me espera aqui.

terça-feira, novembro 13

Este, este e este estão na


E ela se ia como não houvesse mais.

Carregada pelo sereno

das manhãs, seguia pelo caminho que nem mais havia.


Caminhava em


um


tempo
outro, diferente destas horas
corridas e insanas que me levam.

E a falsa trilha, toda forrada de folhas
úmidas do que é doce das madrugadas,

sorria ao sentir os pés pequeninos e

macios da menina de ontem que hoje atiça os olhos ávidos

de
um arremedo

mal

acabado de

h
o
m
e
m
.
.
.
.

domingo, abril 15

Um poeta é feito de quê?

Devo confessar que, até esta noite, habitava em mim um receio de deixar por aqui as minhas impressão e imprecisões das coisas do mundo. Mas depois de ouvir melodias de Dori Caymmi e as palavras de Paulo César Pinheiro, devo confessar que agora, pouco importa do que me chamem, tenho certeza; poesia é mais que simples brincar com palavras, pontuar frases, unir versos e deixar se permitir desejos e impressões. Poetas? São poucos. Aliás, o que será um poeta?

Pra esse canto novo não é preciso
Novos instrumentos descobrir.
Passado o dia de juízo
De novo o atabaque vai bulir.
Viola fará seu improviso.
Bambu vai aos dois se reunir.
é a volta do som do Paraíso
Pro mundo de paz que vai surgir.
(Do poema "O velho canto novo" - PCP)

quarta-feira, março 28

Léo e Bia

No centro de um planalto vazio
Como se fosse em qualquer lugar
Como se a vida fosse um perigo
Como se houvesse faca no ar
Como se fosse urgente e preciso
Como é preciso desabafar
Qualquer maneira de amar valia
E léo e bia souberam amar
Como se não fosse tão longe
Brasília de Belém do Pará
Como castelos nascem dos sonhos
Pra no real achar seu lugar
Como se faz com todo cuidado
A pipa que precisa voar
Cuidar de amor exige mestria
E léo e bia souberam amar


Oswaldo Montenegro

sexta-feira, março 9

Quero uma ciranda só pra mim. Sem óculos e dores de todas, inclusive de cabeça. Coisas triviais de uma sexta quente de março sem águas para findar o verão.

quinta-feira, março 8

Demos graças e ao senhor. Glórias a eLe que viu o iníciomeioefim e nos pôs neste deserto caduco de desilusões e criaturas humanas loucas para existir, sugar da existência sua última gota de gozo. Coma tudo. Se lambuze das vidas vadias e tolas que perambulam bêbadas por ai acreditando no que vê.