sexta-feira, fevereiro 19
acho esses alguns dos mais belos e marcantes versos do nosso teatro. nem era nascido quando foi realizada a estreia do musical Liberdade, Liberdade... criação de Millôr Fernandes e de Flávio Rangel (só googlar), mas tive a oportunidade de ler o livro - quando tinha uns 12 para 13 anos de idade. a curiosidade nasceu por conta de uma foto em p&b do maior de todos, Paulo Autran, que ilustrava uma aspas da peça em um livro de literatura que nos remetia ao estilo literário do capítulo. De punho em riste, olhar fixo no futuro... aquela imagem nunca mais saiu da mente (ouço as vozes e seus ecos, vejo o brilho nos olhos do jovem da primeira fila), não menos pelo ímpeto revolucionário, que apresentava, mas pela necessidade da poesia como complemento para que se pudesse suportar aquele recorte do cotidiano. naquela época eu me via às voltas – graças ao meu irmão - com Vinícius de Morais, então não foi difícil compor a trilha sonora do início do primeiro ato da peça.
(Ainda com as luzes da platéia acesas, ouvem-se os
primeiros acordes do Hino da Proclamação da República.
1 Apaga-se a luz da platéia. Ao final da Introdução,
um acorde de violão, e Nara Leão canta, ainda
no escuro.)
NARA
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos...
CORO
Liberdade, liberdade,
Abre as asas sobre nós,
Das lutas, na tempestade,
Dá que ouçamos tua voz...
(Acende-se um refletor sobre Paulo Autran. Ele diz.)
PAULO
Sou apenas um homem de teatro. Sempre fui e sempre
serei um homem de teatro. Quem é capaz de dedicar
toda a vida à humanidade e à paixão existentes nestes
metros de tablado, esse é um homem de teatro.2
Nós achamos que é preciso cantar (Acordes da
Marcha da Quarta-feira de Cinzas3) – Agora, mais
que nunca, é preciso cantar. Por isso,
“Operário do canto, me apresento4
sem marca ou cicatriz, limpas as mãos,
minha alma limpa, a face descoberta,
aberto o peito, e – expresso documento –
a palavra conforme o pensamento.
Fui chamado a cantar e para tanto
há um mar de som no búzio de meu canto.
Trabalho à noite e sem revezamentos.
Se há mais quem cante, cantaremos juntos;
Sem se tornar com isso menos pura,
A voz sobe uma oitava na mistura.
Não canto onde não seja a boca livre,
Onde não haja ouvidos limpos e almas
afeitas a escutar sem preconceito.
Para enganar o tempo – ou distrair
criaturas já de si tão mal atentas,
não canto... Canto apenas quando dança,
nos olhos dos que me ouvem, a esperança”.
l. Trecho do Hino da Proclamação da República, de Leopoldo
Miguez e Osório Duque Estrada.
2. Baseado em textos de Louis Jouvet e de Jean Louis Barrault, do
livro Je Suis Homme de Théatre.
3. Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, de Vinícius de Morais e
Carlos Lyra.
4. Versos de Geir Campos, do poema Da Profissão do Poeta.
terça-feira, março 31
1964
é assim mesmo. em tipos altos, cólera nos olhos e dedos inquietos, no coração?, batidas firmes e traquilas. quero que sejam minhas as palavras da Camila Rodrigues.
aspas
ENQUANTO A GENTE TIVER QUE ENGOLIR CALADO A "DITABRANDA" DEFENDIDA PELA FOLHA DE SÃO PAULO, IGNORAR TODAS AS HERANÇAS DEIXADAS PELA DITADURA EM NOSSA SOCIEDADE, SÓ PODEREMOS TER QUE ENGOLIR MILITARES "COMEMORANDO" O QUE ELES AINDA CHAMAM DE "REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA"... ORA, O DIA 31 DE MARÇO, COMO DISSE A SENHORA DO "TORTURA NUNCA MAIS" É UMA VERGONHA PARA A MEMÓRIA DESTE PAÍS, ENTRETANTO OS MILITARES AINDA REPRODUZEM O DISCURSO QUE TERIA QUE SER IMPOSSÍVEL DE SER ACEITO: SÓ AGORA EM 2009 UM MILITAR FOI CONSIDERADO CULPADO PELA TORTURA DE DUAS PESSOAS! DUAS PESSOAS... E AS OSSADAS DO CEMINTÉRIO DE PERUS, POR EXEMPLO? AQUILO FOI RESULTADO DE UM PEQUENO ACIDENTE?
COMO EU FALAVA MUITO AOS MEUS ALUNOS NO ANO PASSADO: NÃO QUERO CONVENCÊ-LOS DO QUE EU CONSIDERO MELHOR, SÓ QUERO É QUE ELES NÃO ACREDITEM DE ANTEMÃO EM TUDO O QUE FALAM, APRENDAM A REFLETIR CRITICAMENTE SOBRE AS COISAS, SE ELES TOMAREM ISSO COMO HÁBITO, VÃO SE SAIR BEM EM MUITOS MOMENTOS DA VIDA.
SE PUDEREM, ASSISTAM AO VÍDEO E O DIVULGUEM PARA QUE TODOS POSSAM FORMAR SUAS PRÓPRIAS OPINIÕES.
CAMILA
aspas
sexta-feira, março 20
sábado, janeiro 10
atores do futuro de uma antiga história
Menina palestina olha pela janela da escola da ONU que serve de abrigo para toda sua família, em Jarbala, na Faixa de Gaza. Os confrontos foram retomados na região após uma trégua entre Hamas e Israel, para liberar ajuda à região.
Garotinho palestino chora nos corredores de uma escola da ONU na Faixa de Gaza. Ele está abrigado no local desde que teve de fugir de casa com a família, devido aos ataques das tropas de Israel. Uma outra escola das Nações Unidas que virou abrigo para os refugiados foi alvo de um ataque aéreo israelense. A ação matou três pessoas.

Palestino observa destroços de prédios atingidos por ataques aéreos no 14º dia da ofensiva israelense à região. O Conselho de Segurança da ONU pediu que Israel retirasse suas tropas de Gaza, após abstenção dos EUA na votação.

que as lágrimas de hoje não se transformem no terror de amanhã.
sexta-feira, janeiro 9
quinta-feira, janeiro 8
ao mundo por solidariedade.
Chegou o momento de retribuir,
de mostrar que a solidariedade é um
sentimento universal
Por mais que o governo de Israel e todos os que o apoiam tentem, não irei odiar vocês, irmãos judeus. Ainda que as tropas israelenses matem centenas de crianças e pessoas inocentes, não irei desejar a morte de suas crianças nem jogar a culpa na totalidade de seu povo.
Mesmo que manchem a Faixa de Gaza com o sangue de um povo que também corre em minhas veias, metade árabe, não irei revoltar-me contra nenhuma etnia nem julgar que há raças melhores ou com mais direitos que outras, como quer nos fazer acreditar o governo israelense.
Embora eu também queira ouvir as vozes judaicas de protesto contra o massacre dos palestinos, não deixarei de condenar os que se calaram diante do holocausto judeu. E, mesmo que tomem à força a terra do povo árabe, não irei jamais apoiar o confisco dos bens do povo judaico, praticado há tempos pelo governo nazista.
Por mais que o governo de Israel e todos que o apoiam traiam a tradição hebraica dos grandes profetas que clamaram por justiça e paz, ainda quero manter viva a esperança que eles anunciaram. Mesmo que joguem sua memória na lata de lixo, faço dos profetas do antigo Israel os meus profetas, pois o anúncio da justiça não distingue credos, nações ou etnias.
Sei que muitos de vocês condenam a violência, não apoiam o massacre dos árabes palestinos e gostariam que o governo de Israel respeitasse as decisões da ONU e o clamor da comunidade internacional pelo cessar-fogo imediato. Mas gritem! Se sua voz não for ouvida, acreditar-se-ão com razão aqueles que ainda falam mal de seu povo.
Mesmo que sejam deploráveis todos os antissemitas, o silêncio dos judeus diante do massacre perpetrado pelo país que ostenta a estrela de Davi na bandeira pode ser usado como reforço para os argumentos torpes da superioridade racial.
Há mais de 60 anos seu povo clamou ao mundo por solidariedade. Chegou o momento de retribuir, de mostrar que a solidariedade é um sentimento universal e não restrito a uma etnia. Não deixem o governo de Israel fazer esquecer o quanto vocês sofreram como vítimas, só porque agora ele é algoz e está protegido pela maior potência mundial, os EUA.
Não permitam que a ação de Israel faça parecer que, apesar das manifestações mundiais de condenação, seu Estado se acredita o único que possui razão, pois era assim que o governo alemão pensava no tempo do nazismo.
Estejam certos de uma coisa: independentemente do resultado da absurda campanha israelense ou qualquer que seja a posição de seu povo diante da violência e injustiça cometida por aquele país, não irei ceder à tentação do pensamento racista; não irei apagar da minha memória a catástrofe do nazismo e o sofrimento do povo judeu; não irei pensar que há povos que não merecem nação e que devem ser eliminados; não deixarei de condenar o antissemitismo ou qualquer tipo de preconceito étnico.
Continuarei defendendo a ideia de que todos, sem distinção, somos iguais e temos os mesmos direitos: judeus, negros, árabes, índios, asiáticos etc. Manter-me-ei firme em minhas convicções, pois jamais quero me igualar aos governantes de Israel e àqueles que o apoiam.”
Faço minhas as palavras de meu querido amigo Maurício Abdalla, companheiro no Movimento Fé e Política, professor de filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo e autor de reconhecida qualidade, como o comprova o texto acima, que tão bem traduz a indignação e a dor de tantos que testemunhamos a guerra do Oriente Médio.
Vários intelectuais judeus têm manifestado indignação frente às operações do Estado de Israel. Tom Segev, historiador e cientista político, escreveu no Haaretz que “Israel sempre acreditou que causar sofrimento a civis palestinos os faria rebelarem-se contra seus líderes nacionais, o que se mostrou errado várias vezes”. O escritor Amos Oz sublinhou: “Chegou o tempo de buscar um cessar-fogo”, com o que concorda o escritor David Grossman e o ex-chanceler israelense Shlomo Ben-Ami.
reflexão sobre o poder (Rocco), entre outros livros.
sábado, dezembro 20
quinta-feira, março 20
sábado, março 1
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foto tirada recentemente em Hebrom, na Cisjordânia, Palestina Ocupada.2
Gaza_massacre_feb2008
Vídeo enviado por sabbahblog
"In less than 24 hours between Feb 27 & 28, 2008, Israel killed 30 Palestinians, 10 of them are babies and children."



