terça-feira, março 18
um rio caudaloso
mas de peixes não havia
apenas um sal grosso de tanto
de um mar que corria apertado
entre as margens silenciosas e chorosas
de onde escorriam seiva de encanto
de um azul calmo, infinito
que escolheu caminhar sozinho
pelo rio de bojo estreito, outrora vazio
agora embotado do mais puro pranto.
domingo, março 16
a autobiografia do eric clapton morreu. depois de lida e (re)lida, como sempre faço – o que não é recomendável – o livro se esgotou e vai para o início da fila dos fragmentos sublimados. olhando para trás, talvez esse seja o que mais vai contribuir para a envergadura da madeira da estante, sim, pois os meus livros têm o terrível vício de carregar consigo não apenas a história do autor. eles acabam se tornando também depósitos das emoções que me assolam no período da leitura, assim, as minhas angústias - incrustadas às páginas amareladas dos livros - se misturam às histórias várias, construindo assim um enredo paralelo, misto de ficção e neuroses, dores e alegrias. por isso, é fácil encontrar entres as páginas de um manuel bandeira bilhetes de cinemas, cartas e cartões, bilhetes anotado nas beiradas das folhas, recados, números de telefones e frases anotados em guardanapos ou outro papel e outros tipos de fragmentos da minha vida. essa mania de me misturar aos contos pode até ser uma tentativa de fuga – vã – para um universo outro, paralelo a isso tudo aqui. mas, por favor, meus caros, não me venham apontar o dedo e apressarem em dizer que isso nada mais é do que falta de coragem para encarar as realidades da vida. não o é. é apenas o desejo de ampliar as possibilidades. sei que nem sempre isso é possível. sim, admito. pois existem também os livros inacabados, aqueles dos quais eu não dei conta ou que não permitiram que eu chegasse muito perto. não me perguntem o porquê. estes parecem sorrir de nossa incapacidade de encará-los. é como que dissessem: "ainda sou um mistério para você. sou como seus fantasmas mais íntimos, você sabe que eu estou aí, mas não sabe como se ver livre de mim, você não me toca". coitados. eles nem imaginam que a questão não é ficar livrar deles, que o que mais assola é a vontade de e se desvelar. se misturar, ficção e realidade, para que uma alivie o peso da outra e, ao mesmo tempo, me mostre os caminhos para ir mais fundo no exercício diário de me encontrar.
quinta-feira, março 13
domingo, março 9

cheiro doce de essência divina,
perfume mágico de cor,
lança e relança palavras escondidas
cheias de carinho e sorriso.
Mas vamos passear nas CORES.
quarta-feira, março 5
do estadão - Björk pode ser banida da China por defender 'Tibete livre'
Cantora islandesa gritou 'Tibete, levanta a tua bandeira' ao final de um show realizado em Xangai
Ansa
"Foi bastante difícil ouvi-la. Um grupo de chineses se aproximou de mim e me perguntou o que ela havia dito", declarou um fã europeu presente no show. A canção que Björk havia acabado de cantar não fazia referência direta ao Tibete mas continha os versos "declara a independência" e "levanta a tua bandeira".
"Com a aproximação das Olimpíadas, encorajamos todos a falar do Tibete, e, em geral, dos direitos humanos", comentou Anne Holmes, porta-voz da Free Tibet Campaign, grupo de apoio à libertação do Tibete com sede em Londres. "Björk demonstrou aquilo que uma pessoa corajosa pode fazer", acrescentou Holmes.
Os comentários de Björk foram criticados em alguns sites chineses nos quais a cantora foi definida como "uma bruxa" que não sabe nada de Tibete".
sábado, março 1
1
foto tirada recentemente em Hebrom, na Cisjordânia, Palestina Ocupada.2
Gaza_massacre_feb2008
Vídeo enviado por sabbahblog
"In less than 24 hours between Feb 27 & 28, 2008, Israel killed 30 Palestinians, 10 of them are babies and children."
quarta-feira, fevereiro 6
"...o cinema esteve na minha vida desde o princípio daquilo que considero uma ‘consciência das coisas’. Eu não ‘resolvi’ fazer cinema. Este fato foi chegando naturalmente em mim, não como uma opção. Meus pais sempre me levaram ao cinema. Meus irmãos sempre estiveram ligados ao cinema como um processo mais empenhado do que o de simples espectadores. Uma irmã, a mais velha, recortava todas as críticas do Cyro Siqueira, publicadas no Estado de Minas, o outro irmão escrevia, em uma revista artesanal familiar, textos sobre o neo-realismo italiano, Roberto Rossellini, etc., e a outra irmã era ‘fã’ e colecionava fotos de estrelas de Hollywood, da Vera Cruz, da Atlântida. Muito cedo fiquei ligado às convocações para a programação do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (fundado em 1951, quando tinha sete anos de idade) que saia nos jornais. Quando me transferi para o Colégio Estadual Central (no primeiro ano de sua existência, ali no Santo Antônio, em 1956) logo me incorporei a um grupo de colegas que lidavam com o processo político (que igualmente estava já moldado por uma formação familiar de esquerda, marxista, materialista, por parte do meu pai e dos tios maternos) e com a cultura. Todos iriam fazer ciências sociais, economia, filosofia, letras, etc. (na época não havia nenhum respeito para estas especialidades: todo mundo se preparava para ser médico, engenheiro civil ou advogado, afora isto todos eram "turistas", fazendo cursos que não tinham nenhuma possibilidade de presença no mercado de trabalho). Era, portanto, um grupo bastante ‘exótico’ no nosso tempo..."
domingo, janeiro 20
... e assim, novas picadas foram e serão abertas nesta mata virgem, claro que há arranhões, cortes e feridas abertas pelos espinhos das flores e das árvores afastados no caminho. |há o tempo de poda, de plantio e de nascimento - como neste primeiro momento| os espinhos cortam, mas não há maudade neles, há o instinto de sobrevivência que nos leva a apenas nos defender dos solapos do facão que abre espaços adentro em busca de novas paragens.
entrevistado: Valdemar Nunes, ex-combatente da FEB.
sexta-feira, janeiro 18
é hoje!
Um olhar para a juventude brasileira
Começa hoje a maratona do cinema brasileiro
A 11ª Mostra de Cinema de Tiradentes abre o calendário audiovisual brasileiro apresentando o panorama da produção brasileira contemporânea. A abertura oficial acontece, às 21h, no Cine-Tenda, com homenagens aos atores Rosanne Mulholland e João Miguel – ambos destaques do momento e em ascensão no cinema brasileiro.
Na seqüência, a exibição em pré-estréia nacional do longa paulista FALSA LOURA, de Carlos Reichenbach.
Até 26 de janeiro, Tiradentes será a capital do cinema brasileiro e o público poderá conferir o que vai ser o cinema de 2008 em obras inéditas e premiadas – ao todo 126 filmes – 27 longas-metragens, 35 curtas e 64 vídeos, em 48 sessões vão ocupar três espaços construídos para atender a programação intensa e gratuita oferecida ao público – o Cine-Teatro, o Cine-Tenda e o Cine Petrobras na Praça.
Mais de 300 convidados – cineastas, atores, pesquisadores, acadêmicos, críticos de cinema, jornalistas e autoridades já confirmaram presença na Mostra Tiradentes, que além da exibição de filmes, vai promover 13 oficinas de cultura, 12 debates de longas, o 9º Seminário do Cinema Brasileiro, exposição, cortejos, shows e teatro de Rua para um público estimado em mais de 35 mil pessoas.
E mais – no sábado, dia 19 de janeiro, a Universo Produção promove o tradicional CORTEJO DA ARTE, em comemoração ao aniversário de Tiradentes com saída da Igreja do Rosário, às 16 horas – um passeio musical pela Rua Direita com destino a Praça Principal vai reunir mais de 100 artistas em clima de carnaval.
À noite, o ponto de encontro é o Tenda Bar Show, anexo ao Cine-Tenda, com programação de shows, após a última sessão de cinema. Hoje o público confere o samba do grupo Linha de Passe. No sábado será a vez da MPB do Lúdica Música.
Site oficial do evento: www.mostratiradentes.com.brquinta-feira, janeiro 10
terça-feira, janeiro 1
sexta-feira, dezembro 28
quinta-feira, dezembro 27
domingo, dezembro 16
rememorar III
rememorar II
rememorar I
Tocar as lembranças. Exercício simples da nossa existência que na maioria das vezes se torna raro ou inacessível por inúmeras razões. Seja por conta do rodar frenético da mesa do oleiro ou pelos sabores mofados que o passado tenha nos deixado ainda ardendo na boca, e que nos impede de abri-la para revisitar lembranças, embarcar nessa caravana e marchar a passos lentos e firmes, muitas vezes ruidosos, rumo às vicissitudes das coisas, nem sempre é tarefa que se cumpra de bom grado, mas é preciso. Como um navegar de Pessoa.Diferentemente das tradicionais, para essa viagem não são necessários camelos ou dromedários para o transporte a outros lugares, o meio é um só, a palavra; água, os ouvidos (aos mais atentos, diria, que esse meio de transporte pode ser potencializado pelo olhar ávido por um gesto, por um sinal na face ou por um entoar mais agudo na voz dos narradores, guias) e o destino é a memória, terreno fértil das coisas findas, onde se formulam escolhas e destinos, barreiras e desatinos, um limbo entre o presente vivido e o presente passado.
Uma vez a bordo da palavra, volta não há mais, o embarque é no vento, sem a necessidade de dar tempo ao que já não há. Se permitir que os olhos sejam atendidos por novos velhos caminhos e, em muitos casos, tecer o próprio novo caminho em busca de outros sítios arqueológicos de fósseis líquidos de nós mesmos é a proposta dessa viagem. “Só assim poderemos fincar os pés e escapar do turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambigüidade e angústia do que é ser moderno e parte do universo no qual, de acordo com Marx, ‘tudo que é sólido se desmancha no ar” *.
Os viajantes vão partir, na mochila cordas para amarrar os pés caso o grupo seja acometido por uma tempestade durante as noites frias do deserto e muita vontade de se forjar em um tempo outro visitado apenas pelos nossos narradores, guias.
* Marshall Berman in "Tudo que é sólido se desmancha no ar", 1981.


