terça-feira, julho 14

Retrato


Ela: oi!

Ele: owlas (exclamações)

Ela: ta vivo?

Ele: sim. muito trabalho, mas estou bem. e o nosso cine semanal? vamos neste fim de semana.

Ela: nem comento. no fim de semana você não existe. é uma vaga lembrança... J

Ele: te amo.

sábado, julho 11

sei que definitivamente o raiar é ilusão.
mas eu tenho o direito de sentir o cheiro da terra molhada.

terça-feira, junho 30

Mar que serpenteia o Arpoardor
Banha-me,
Acalma-me a alma
Isso que me ladeia
Encanta-me com sua harpa
Mesmo este resto que ainda é dor
Rio meu, de margens tortas
Corredeiras
Feitas de pedras finas, lisas e faceiras
Perco-me em seus leitos
Peitos de meninas esculpidas em argila.
A benção de um Rio de Janeiro
São Sebastião.

sexta-feira, junho 12

já estava assim desde um tempo atrás.
agora resolvi olhar para ele.
estava cansado. e não sei pq.
sentia tudo pesado.
sem forças para seguir.
os sonhos estranhos pontuam a toada.
os cigarros trazem à noite escura
o branco de outras enluaradas.
o que não é bom. mas é o que alivia.

quarta-feira, junho 3

E o mundo ainda não aprendeu.

*"Dói internar um filho.

Às vezes não há outro jeito"


ontem, lendo uma reportagem de uma revista semanal que trazia entre outras fontes *Ferreira Gullar... me lembrei de Sorôco, do Guima. o tema da reportagem era como sempre o da moda: o sofrimento mental, que foi guindado às grandes rodas de discussões graças a um personagem da novela global. bem, como o tema veio à baila pouco nos interessa, afinal, a sociedade é movida por esses repentes midiáticos mesmo, mas o que nos toca aqui é olhar para a questão, e Ferreira o faz com a sensibilidade de quem sentiu o arfar da realidade dos sonhos sobre os ombros dos filhos.

ao meu ver o diálogo a respeito das questões psíquicas em nosso país ainda se arrastam, apesar de tudo isso que uns apontam como avanços dignos de nota e louvor. mas não. na prática a coisa funciona de uma outra forma. profissionais trocam o diálogo com os familiares por "jaules" e um abraço amigo por doses cavalares de Aldol. em Belo Horizonte, a clínica Casa Freud, que tinha a proposta mais honesta e digna sobre a qual já ouvi falar e pude ler sobre não foi à frente. conversando com o seu idealizador, ouvi que faltava apoio. bem, e é essa mesma sociedade, que nega apoio a projetos responsáveis, que vira o rosto para o diferente, que quer sentar para discutir a questão. não, melhor não. é melhor deixar a fala apenas para pessoas que, como Gullar, sentem ou sentiram o que é partilhar a ilusão das coisas com os seus entes queridos.


Foto: reprodução Epoca - Gullar posa
no apartamento em que mora sozinho,
em Copacabana. O filho Paulo vive há
cinco anos num sítio em Pernambuco.


Sorôco, sua mãe, sua filha
(Guimarães Rosa )

Aquele carro parara na linha de resguardo, desde a véspera, tinha vindo com o expresso do Rio, e estava lá, no desvio de dentro, na esplanada da estação. Não era um vagão comum de passageiros, de primeira, só que mais vistoso, todo novo. A gente reparando, notava as diferenças. Assim repartido em dois, num dos cômodos as janelas sendo de grades, feito as de cadeia, para os presos. A gente sabia que, com pouco, ele ia rodar de volta, atrelado ao expresso daí de baixo, fazendo parte da composição. Ia servir para levar duas mulheres, para longe, para sempre. O trem do sertão passava às 12h45m.

As muitas pessoas já estavam de ajuntamento, em beira do carro, para esperar. As pessoas não queriam poder ficar se entristecendo, conversavam, cada um porfiando no falar com sensatez, como sabendo mais do que os outros a prática do acontecer das coisas. Sempre chegava mais povo – o movimento. Aquilo quase no fim da esplanada, do lado do curral de embarque de bois, antes da guarita do guarda-chaves, perto dos empilhados de lenha. Sorôco ia trazer as duas, conforme. A mãe de Sorôco era de idade, com para mais de uns setenta. A filha, ele só tinha aquela. Sorôco era viúvo. Afora essas, não se conhecia dele o parente nenhum. (continua).



quarta-feira, maio 27

domingo, maio 24

na verdade estar aqui e ser assim,
afeito ao que é amargo e às promessas possíveis
e ainda assim intangíveis de amor,
é simplesmente a vontade
de se estar à altura desse momento único,
recortado no tempo,
que chamam de vida.

domingo, maio 17

morada da dama de rapina, cortina de rocha que me adorna e me acovarda a alma, durma no silêncio, atlântica-cerradeira, embalada nas rochas e sob o olhar da deusa natureza. petrifique este amor que, ora adormecido, hoje se nega ao olvido -
feridas banhadas pelo malte destilado, aquelas que me calam a alma.
morada da dama de rapina, banha-me em suas águas, fruto de suas chagas, unja meu sorriso, me faz homem sem destino.
morada da dama de rapina, cortina de rocha lisa, alise com sua sombra a minha face vincada de sobrancelhas grossas e pupilas negras.
morada da dama de rapina, berço das minhas alegrias, dos meus melhores dias, me cure de mais este dia.

terça-feira, maio 12

eu não estou inspirada neste momento e o gosto de cigarro e de cerveja em minha boca, mais a frustração de estar sem sexo me impedem de pensar em qualquer coisa que não seja um banho quente e em meus lençois finos.

aqueles novos, que eu comprei?

não, me apetessem mais os velhos e surrados que carregam minhas memórias, minhas dores e meus sorrisos (bem, esquece esta coisa de sorriso, não seria esta a palavra correta para esse mover de lábios em sosláio). me passe um cigarro?

sim, mas coloque uma música, é preciso ter som nisso tudo.

e eu apenas queria um texto em quatro mãos? para o resto... eu preciso comer mais feijão. não ria das minhas preocupações tão chocolate, são apenas essas coisas que fazem do universo masculino lugar comum que qualquer camiseta regata resolve, entende? por isso talvez eu seja menos afeito a elas. sou mais o rosa, o andar com cuidado, como caminhar em nuvens...

quinta-feira, maio 7




Eu tive um sonho
Que eu estava certo dia
Num congresso mundial
Discutindo economia

Argumentava
Em favor de mais trabalho
Mais emprego, mais esforço
Mais controle, mais-valia

Falei de pólos
Industriais, de energia
Demonstrei de mil maneiras
Como que um país crescia

E me bati
Pela pujança econômica
Baseada na tônica
Da tecnologia

Apresentei
Estatísticas e gráficos
Demonstrando os maléficos
Efeitos da teoria

Principalmente
A do lazer, do descanso
Da ampliação do espaço
Cultural da poesia

Disse por fim
Para todos os presentes
Que um país só vai pra frente
Se trabalhar todo dia

Estava certo
De que tudo o que eu dizia
Representava a verdade
Pra todo mundo que ouvia

Foi quando um velho
Levantou-se da cadeira
E saiu assoviando
Uma triste melodia

Que parecia
Um prelúdio bachiano
Um frevo pernambucano
Um choro do Pixinguinha

E no salão
Todas as bocas sorriram
Todos os olhos me olharam
Todos os homens saíram

Um por um
Um por um
Um por um
Um por um

Fiquei ali
Naquele salão vazio
De repente senti frio
Reparei: estava nu

Me despertei
Assustado e ainda tonto
Me levantei e fui de pronto
Pra calçada ver o céu azul

Os estudantes
E operários que passavam
Davam risada e gritavam:
"Viva o índio do Xingu!

"Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!"

letra: Gilberto Gil - Um Sonho
imagem: Roberto Jayme/Reuters (ele vai me perdoar
pela distorção da imagem, era preciso)

terça-feira, abril 28

- Interesses?
- Ora! Sons do Vina e do Tom e as cores emaranhadas de Pollok. Sem contar as palavras escritas de Carlos e de Fernando e as gargalhadas de Elis. Opa! Esqueci das linhas do Guima e das primas do Guinga.

domingo, abril 26

o que é psíquico é tão único e singular que nenhuma comparação pode refletir a sua natureza.


Freud


No primeiro momento,

embalados ao som da roda do Oleiro e seduzidos pelo desejo de tocar e dar formas aos sentimentos, eles se entregaram à possibilidade de forjar o amorfo. E do desejo em comum, surgiram os primeiros traços de amor. Era sereno e indecifrável, abrigava todas as formas, cores, sons e olhares.

No segundo momento,

As mãos se enlaçavam ao que era barro e desse jogo de cumplicidade nasciam silhuetas e sombras que se transformavam em artefatos poéticos. Máscaras, peças sacras e totens, brotavam como fossem todos parte daquele ritmo tênue da máquina e do calor tépido do forno.

Num terceiro momento – como já não havia como: raiou a arte, que, antes de todos os preceitos e conceitos estéticos, se fazia apenas como deveria ser: a explosão de sentimentos. Encontro do outro, de si e da forma da coisa que será o elo entre duas ou mais pessoas que se encontram.

Playing For Change: Song Around the World "Stand By Me"

é só mais uma dessas coisas que encontramos por aí... nas esquinas. coisa de caminhante.

sábado, abril 18

tem celebridade querendo jogar uma colheguinha minha do trio elétrico.

*"Ser mãe é se divertir no trio elétrico

O tema foi uma sugestão da minha amiga Carla Alves (sugerir assunto para esta coluna, aliás, é muito comum aqui na redação. Vira e mexe vem alguém pedir para eu escrever sobre isso ou aquilo. Só acato, evidentemente, aqueles que tenham a ver com o que eu penso, como este de hoje). Desde o Carnaval, Carla está revoltada com Claudia Leitte. Tudo porque a cantora de axé nem bem tinha parido e já estava serelepe em cima de um trio elétrico, magérrima. O "Fantástico" fez até uma matéria sobre a aventura que foi dar de mamar ao bebê em pleno Carnaval. A Globo acompanhou "a trajetória" do leite, desde o momento em que foi retirado do seio de Claudia até a chegada na casa onde se encontrava o pequeno Davi. As matérias dos jornais, Carla me conta, afirmavam que a cantora levava pra cima e pra baixo uma manta com o cheiro do bebê, no caso de sentir saudade. "O que ela não sabe é que o filho é que sente falta dela", diz minha colega, irritada. Carla tem toda a razão.

Tenho convivido com grávidas com muita frequência, desde que trabalho neste jornal. Foram nestes 12 anos de O TEMPO, umas duas ou três por ano. Todas, sem exceção, voltam tristíssimas da longa - e necessária - licença maternidade, que, juntando com as férias, dá uns cinco meses. Tristíssimas e divididas. Mulheres modernas que são não pensam em abandonar a profissão para ficar em casa cuidando do filho. Ao mesmo tempo, sentem saudades do convívio diuturno com o bebê e sofrem de imaginar que ele está sentindo falta da mãe por perto. Por isso, fica difícil entender por que uma pessoa simplesmente abre mão desse período tão importante para mãe e filho para se apresentar em cima de um trio elétrico. Embora não consiga compreender, tenho aqui uma lista de motivos que podem levar pessoas desse tipo a agirem dessa maneira. Primeiro, marketing. Imaginem vocês quantas reportagens renderam em cima da decisão da cantora de se apresentar no Carnaval um mês após ter dado à luz.

"Claudia Leitte vai usar ordenhadeira portátil durante Carnaval"; Claudia Leitte se divide entre Davi e o Carnaval"; "Claudia Leitte grava choro do filho para ouvir durante folia"; "Claudia se diz feliz em conciliar trabalho e família" foram algumas dos títulos de matérias que saíram sobre ela na época. A segunda hipótese, que não elimina a primeira, é dinheiro. Imagino que deixar de sair na folia de Salvador deve significar menos rendimentos na conta do artista. Outra possibilidade, que também não descarta as anteriores, é, não aparecendo, ser esquecida, substituída por um talento emergente. E, claro, aquele que, sendo Claudia Leitte mulher e artista, deve ter sido determinante para a decisão: mostrar que atingiu a plena forma em tempo recorde, coisa que a imensa maioria das mulheres não consegue - talvez porque nem esteja interessada nisso. Ano que vem, a cantora já prometeu levar David, que estará com apenas um ano de idade, para cima do trio elétrico. Isso não tem fim. Quando ela sair de cena. Virá outra em seu lugar. Bem-vindos ao mundo das celebridades, onde vale tudo."

*o itálico não é meu. é de uma mocinha muito porreta!
um saravá à S.M
e à Dani e à Letícia tb, claro.

terça-feira, abril 14

hoje amanheci com medo.


*"Eu tenho medo e medo está por fora
O medo anda por dentro do teu coração
Eu tenho medo de que chegue a hora
Em que eu precise entrar no avião

Eu tenho medo de abrir a porta
Que dá pro sertão da minha solidão
Apertar o botão: cidade morta
Placa torta indicando a contramão
Faca de ponta e meu punhal que corta
E o fantasma escondido no porão..."

pequeno mapa do tempo, belchior

quinta-feira, abril 9

coisa de bar.

Rafa: http://www.youtube.com/watch?v=w29QxilQw8
Eu: vamos almoçar no mercado central?
Rafa: uma boa. vou ganhar o chapéu? kk
Eu: not!
Rafa: amarracation
Eu: rs, vamos fazer o seguinte. vc paga 40 reais da boina e eu completo. assim eu te pago os 40 que te devo e vc me paga os 70 que eu te emprestei. hahahahaha! outra possibilidade: a gente bebe 30 reais e eu pago. ou outra possibilidade: a gente compra 30 reais de carne e o michel paga a cerveja (para compensar o bolo que ele deu na gente da última vez. entendeu? não? tá muito embolado? se tiver... fodas, a nossa amizade é assim mesmo. hahahahaha!
Rafa: olha aqui, negócio é negócio! hj vai ter churrasco e cerva em gratdão a sua força constante
mas não abro mão de ter uma boina pra usa-la contigo no café nice. kk. te amo negão.
Eu: posso postar essa nossa conversa no meu blogue?
Rafa: hahahaha! sinto falta de mim lá.
Eu: poisé cara, às vezes sinto falta de mim ali tb. houve um tempo em que estive mais presente. hoje me escorrego entre uma música e outra que posto ali. ainda vou cair nesse movimento!
Eu: bora pro Mercado comer aquele feijão tropeiro com couve e tomar uma cerva?
Rafa: tem q ser agora. vão bora!
Eu: pro mercado central.