quarta-feira, fevereiro 6

acabei de assistir a "Deus e o Diabo na Terra do Sol", do Glauber Rocha, e a "Rio 40 Graus", que tem direção de Roberto Santos e produção de Nelson Pereira dos Santos. há tempos ensaio uma de cinema novo, neo-realismo italiano e novelle vague. pra piorar as coisas, no fim do ano passado, caiu sob meus dedos tortos uma matéria sobre o cinema feito da década de 60. de lá pra cá então, venho na batalha a procura dos caras que fizeram essa escola. um deles é o Geraldo Veloso, o cara é presidente do Centro de Estudos Cinematográficos de Belo Horizonte, CEC. a íntegra do material ainda não posso publicar aqui, mas aí vai um trecho do meu bate-papo com ele.

"...o cinema esteve na minha vida desde o princípio daquilo que considero uma ‘consciência das coisas’. Eu não ‘resolvi’ fazer cinema. Este fato foi chegando naturalmente em mim, não como uma opção. Meus pais sempre me levaram ao cinema. Meus irmãos sempre estiveram ligados ao cinema como um processo mais empenhado do que o de simples espectadores. Uma irmã, a mais velha, recortava todas as críticas do Cyro Siqueira, publicadas no Estado de Minas, o outro irmão escrevia, em uma revista artesanal familiar, textos sobre o neo-realismo italiano, Roberto Rossellini, etc., e a outra irmã era ‘fã’ e colecionava fotos de estrelas de Hollywood, da Vera Cruz, da Atlântida. Muito cedo fiquei ligado às convocações para a programação do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (fundado em 1951, quando tinha sete anos de idade) que saia nos jornais. Quando me transferi para o Colégio Estadual Central (no primeiro ano de sua existência, ali no Santo Antônio, em 1956) logo me incorporei a um grupo de colegas que lidavam com o processo político (que igualmente estava já moldado por uma formação familiar de esquerda, marxista, materialista, por parte do meu pai e dos tios maternos) e com a cultura. Todos iriam fazer ciências sociais, economia, filosofia, letras, etc. (na época não havia nenhum respeito para estas especialidades: todo mundo se preparava para ser médico, engenheiro civil ou advogado, afora isto todos eram "turistas", fazendo cursos que não tinham nenhuma possibilidade de presença no mercado de trabalho). Era, portanto, um grupo bastante ‘exótico’ no nosso tempo..."

domingo, janeiro 20



... e assim, novas picadas foram e serão abertas nesta mata virgem, claro que há arranhões, cortes e feridas abertas pelos espinhos das flores e das árvores afastados no caminho. |há o tempo de poda, de plantio e de nascimento - como neste primeiro momento| os espinhos cortam, mas não há maudade neles, há o instinto de sobrevivência que nos leva a apenas nos defender dos solapos do facão que abre espaços adentro em busca de novas paragens.

entrevistado: Valdemar Nunes, ex-combatente da FEB.

sexta-feira, janeiro 18

é hoje!

BOLETIM Nº 01


Um olhar para a juventude brasileira
Começa hoje a maratona do cinema brasileiro

A 11ª Mostra de Cinema de Tiradentes abre o calendário audiovisual brasileiro apresentando o panorama da produção brasileira contemporânea. A abertura oficial acontece, às 21h, no Cine-Tenda, com homenagens aos atores Rosanne Mulholland e João Miguel – ambos destaques do momento e em ascensão no cinema brasileiro.
Na seqüência, a exibição em pré-estréia nacional do longa paulista FALSA LOURA, de Carlos Reichenbach.

Até 26 de janeiro, Tiradentes será a capital do cinema brasileiro e o público poderá conferir o que vai ser o cinema de 2008 em obras inéditas e premiadas – ao todo 126 filmes – 27 longas-metragens, 35 curtas e 64 vídeos, em 48 sessões vão ocupar três espaços construídos para atender a programação intensa e gratuita oferecida ao público – o Cine-Teatro, o Cine-Tenda e o Cine Petrobras na Praça.

Mais de 300 convidados – cineastas, atores, pesquisadores, acadêmicos, críticos de cinema, jornalistas e autoridades já confirmaram presença na Mostra Tiradentes, que além da exibição de filmes, vai promover 13 oficinas de cultura, 12 debates de longas, o 9º Seminário do Cinema Brasileiro, exposição, cortejos, shows e teatro de Rua para um público estimado em mais de 35 mil pessoas.

E mais – no sábado, dia 19 de janeiro, a Universo Produção promove o tradicional CORTEJO DA ARTE, em comemoração ao aniversário de Tiradentes com saída da Igreja do Rosário, às 16 horas – um passeio musical pela Rua Direita com destino a Praça Principal vai reunir mais de 100 artistas em clima de carnaval.

À noite, o ponto de encontro é o Tenda Bar Show, anexo ao Cine-Tenda, com programação de shows, após a última sessão de cinema. Hoje o público confere o samba do grupo Linha de Passe. No sábado será a vez da MPB do Lúdica Música.

Site oficial do evento: www.mostratiradentes.com.br

quinta-feira, janeiro 10

Me espere aqui. Vou me levar ali, e não volto mais. Me espere aqui. Deixei de me deixar ir, hoje me trago aos lugares diversos, mas sem reversos. Não. E não adianta esse choro contido-moído desta falsa falta que de mim nunca sentiu. Tome o seu riso macio que corria do rosto leve - guarde-o - e não obriga a mais este que cala - ventre seco. Me espere aqui. Não volto. E não corra, me achar em talvez dias felizes que se façam das manhãs que talvez nasçam com sol?, são chocolates. Não estarei lá. Eu fujo do sol. Sou escuridão à meia luz de velas. Lânguida claridade. Me espere aqui. Eu não volto. Não volte o relógio. Não sei de ser humano que tenha vivido minutos passados, mesmo que neles fosse mais fácil me encontrar. Não vou voltar. Me espera aqui.

terça-feira, janeiro 1


e agora?

ora!, é lidar com a insustentável ilusão da repetição dos meses, dias, horas, minutos, segundos.

gostaria de proibir as medidas de tempo, ou melhor: todas as medidas.

vida longa ao homem atemporal!


relógio, Salvador Dali

quinta-feira, dezembro 27

Esta é a história de um menino que nasceu de um breve semear de amor em uma terra fértil de nome paixão. Semeado fora de época, a muda caducou, a terra rachou e o par de olhos ( que - antes - eram brilhantes) sangrou.

quarta-feira, dezembro 26

domingo, dezembro 16

rememorar III

O que fica ao fim é um silêncio violento, que grita e me obriga a agir como o personagem de um livro qualquer lido na adolescência que sempre repetia a frase: não quero fazer mais nada que não seja resultado de um ato de amor.

rememorar II

O olhar para trás nada mais é que celebrar. É irmos ao encontro de nós mesmos, uma chegada ao fruto de nossa fantasia cultivada sobre tudo aquilo que somos. Mas, não obstante, o que ele nos impõe é, antes de tudo, uma colisão naquilo que não somos, ou, ao menos, naquilo que não esperamos ser. É como se encarássemos um espelho e déssemos de frente com uma pessoa outra, diferente daquela que imaginávamos ser no campo simbólico.

rememorar I

Tocar as lembranças. Exercício simples da nossa existência que na maioria das vezes se torna raro ou inacessível por inúmeras razões. Seja por conta do rodar frenético da mesa do oleiro ou pelos sabores mofados que o passado tenha nos deixado ainda ardendo na boca, e que nos impede de abri-la para revisitar lembranças, embarcar nessa caravana e marchar a passos lentos e firmes, muitas vezes ruidosos, rumo às vicissitudes das coisas, nem sempre é tarefa que se cumpra de bom grado, mas é preciso. Como um navegar de Pessoa.

Diferentemente das tradicionais, para essa viagem não são necessários camelos ou dromedários para o transporte a outros lugares, o meio é um só, a palavra; água, os ouvidos (aos mais atentos, diria, que esse meio de transporte pode ser potencializado pelo olhar ávido por um gesto, por um sinal na face ou por um entoar mais agudo na voz dos narradores, guias) e o destino é a memória, terreno fértil das coisas findas, onde se formulam escolhas e destinos, barreiras e desatinos, um limbo entre o presente vivido e o presente passado.

Uma vez a bordo da palavra, volta não há mais, o embarque é no vento, sem a necessidade de dar tempo ao que já não há. Se permitir que os olhos sejam atendidos por novos velhos caminhos e, em muitos casos, tecer o próprio novo caminho em busca de outros sítios arqueológicos de fósseis líquidos de nós mesmos é a proposta dessa viagem. “Só assim poderemos fincar os pés e escapar do turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambigüidade e angústia do que é ser moderno e parte do universo no qual, de acordo com Marx, ‘tudo que é sólido se desmancha no ar” *.

Os viajantes vão partir, na mochila cordas para amarrar os pés caso o grupo seja acometido por uma tempestade durante as noites frias do deserto e muita vontade de se forjar em um tempo outro visitado apenas pelos nossos narradores, guias.

* Marshall Berman in "Tudo que é sólido se desmancha no ar", 1981.

quarta-feira, novembro 28


Sei lá, mas resolvi procurar o Vandré.

"Olha... E sabe o que eu acho... Eu acho uma coisa só a mais... Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque de Holanda... Merecem o nosso respeito.... A nossa função é fazer canções, a função de julgar nesse instante é do júri que ali esta... Um momento... Por favor, Por favor, Tem mais uma coisa só... Pra vocês, pra vocês... Que continuam pensando, que me apóiam vaiando! Gente... Gente... Por favor, Olha tem uma coisa só... A vida não se resume em festivais..."

Geraldo Vandré (Maracananzinho-1968)

“O problema é que você quer
falar com Geraldo Vandré.

E Geraldo Vandré não existe mais,
foi um pseudônimo que usei até 1968..."


Foto: Mário Luiz Thompson

domingo, novembro 25

Mulher

de teus olhos
nascem meus caminhos
e os destino
que me vão enlaçando
entre os dias e horas
e instantes

de tua presença
brotam meus melhores quereres
minhas mais lindas poesias (quando as tenho)
e meus mais cruéis e sofridos
atos de solidão e desespero - medo

De tua presença
nasce a essencia
que é própria vida
fluindo por meu corpo.

De tua sabedoria
brotam meus mais sinceros motivos
para querer te merecer.
Reinventar cheiros, cores, formas
paladares e sons
para ser tudo
conforme teu gosto.

De tua ternura materna e amor
nascem meus sonhos,
minhas lágrimas, meus sorrisos, meus prazeres, minhas noites,
minha paz.

De tua existência
nascem os fluídos
que me fazem existir.
Não me faltes nunca,
nem um segundo de minha vida.

segunda-feira, novembro 19

Música: Breu
Álbum: Outros...

    Ando procurando pelo seu olhar
    Clareou o dia você desapareceu
    Na estrada, no vento ou qualquer outra rota estelar
    Na ilha deserta ou no inverno do norte europeu

    Mergulhando ruas, beijos ao luar
    Velejando bocas, loucas pra beijar
    Mar e o oceano, e a onda que veio e bateu
    Lembra a distância entre o seu mundo e o meu

    O aluguel venceu
    Meu time jogou
    Tudo aqui é seu
    E você não ligou
    De manhã choveu
    O carro enguiçou
    O sinal fechou
    O amor não percebeu

    Passo todo dia e noites a vagar
    Solto no descaso, preso em seu mirar
    Na dança do tempo só você, meu bem, é que não viu
    Durmo sabendo que você não vai voltar

    O aluguel venceu
    Meu time jogou
    Tudo aqui é breu
    E você não ligou
    De manhã choveu
    O carro enguiçou
    O sinal fechou
    O amor não percebeu

    O aluguel venceu
    Meu time jogou
    Tudo aqui é breu
    E você não ligou
    De manhã choveu
    O carro enguiçou
    O sinal fechou
    O amor não percebeu

terça-feira, novembro 13

Este, este e este estão na


E ela se ia como não houvesse mais.

Carregada pelo sereno

das manhãs, seguia pelo caminho que nem mais havia.


Caminhava em


um


tempo
outro, diferente destas horas
corridas e insanas que me levam.

E a falsa trilha, toda forrada de folhas
úmidas do que é doce das madrugadas,

sorria ao sentir os pés pequeninos e

macios da menina de ontem que hoje atiça os olhos ávidos

de
um arremedo

mal

acabado de

h
o
m
e
m
.
.
.
.

quarta-feira, novembro 7

ora! Nada de dramas
e nem me venha os melodramas
viver mesmo
é se emaranhar nas tramas
sem manhas.

de resto, a vida é tragédia!

o que é melhor
vamos combinar
assim temos o que filmar.