domingo, junho 5
Terra Plana
Há dias que são menos.
domingo, janeiro 16
sustenido
porque ainda tudo é silêncio. esvazie o peito, deixe apenas os artigos, é para determinar o que nunca houve. ouça os semitons, vaze por entre eles. escorra. não pare. há segurança.
quinta-feira, janeiro 6
há tempos não fazia isso: almoçar e esquecer da tarde com os amigos. a minha salada de quinoa estava muito boa, com alfaces verdinhas (em diferentes tons, claro) - apesar do serviço do restaurantedescoladinhodamoda não ser lá muito bom. e também teve doce de leite de sobremesa, coisinha confort food, mora? e para coroar... papo gostoso e cheio dos amanhãs com as gentes queridas. "e só sei que foi assim"!
domingo, outubro 24
quinta-feira, agosto 12
do amor total
Composição: Vinicius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
terça-feira, agosto 3
Quinta-feira, Outubro 29
segunda-feira, agosto 2
quinta-feira, julho 29
Você querendo só canção e eu inventei um estilo
Você arrasou meu quarteirão e eu construindo um edifício
Amor, você judiou, e eu?
Amor, quem tropeçou fui eu
Você ficando só no muro e eu caminhando em círculos
Você é futuro que passou e eu vivendo de particípio
Amor, você brincou, e eu?
Amor, 'cê amargou meu eu
E Eu?
Gisele de Santi
Você arrasou meu quarteirão e eu construindo um edifício
Amor, você judiou, e eu?
Amor, quem tropeçou fui eu
Você ficando só no muro e eu caminhando em círculos
Você é futuro que passou e eu vivendo de particípio
Amor, você brincou, e eu?
Amor, 'cê amargou meu eu
E Eu?
Gisele de Santi
segunda-feira, maio 10
segunda-feira, abril 26
sexta-feira, fevereiro 19
Na época em que me preparava para defender o projeto de final de curso, um documentário, fruto de 18 meses de trabalho árduo, leituras incessantes e descobertas saborosas. Em uma de minhas conversas com a orientadora, construímos o que seria a última questão que me tiraria o sono durante o restante da graduação: na atual sociedade, somos tomados por uma enxurrada de imagens, talvez não fosse a hora de olhar para todos esses signos com menos preconceito? E mais, não seria a hora de começarmos a pensar em como inserir mais imagens – com qualidade – nesse universo? Isso deu muito pano para manga e anotações para o dr. maluco.
alguns anos se passaram... e num é que trabalhando na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes 2010, não me deparei mais uma vez com a velha questão? E o que me consola, é que dessa vez o assunto pairou no discurso do homenageado do festival, o cineasta Karim Aïnouz - o cara rodou Madame Satã, O Céu de Suely, Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, entre tantos outros. Confira:
alguns anos se passaram... e num é que trabalhando na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes 2010, não me deparei mais uma vez com a velha questão? E o que me consola, é que dessa vez o assunto pairou no discurso do homenageado do festival, o cineasta Karim Aïnouz - o cara rodou Madame Satã, O Céu de Suely, Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, entre tantos outros. Confira:
"...é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar..."
acho esses alguns dos mais belos e marcantes versos do nosso teatro. nem era nascido quando foi realizada a estreia do musical Liberdade, Liberdade... criação de Millôr Fernandes e de Flávio Rangel (só googlar), mas tive a oportunidade de ler o livro - quando tinha uns 12 para 13 anos de idade. a curiosidade nasceu por conta de uma foto em p&b do maior de todos, Paulo Autran, que ilustrava uma aspas da peça em um livro de literatura que nos remetia ao estilo literário do capítulo. De punho em riste, olhar fixo no futuro... aquela imagem nunca mais saiu da mente (ouço as vozes e seus ecos, vejo o brilho nos olhos do jovem da primeira fila), não menos pelo ímpeto revolucionário, que apresentava, mas pela necessidade da poesia como complemento para que se pudesse suportar aquele recorte do cotidiano. naquela época eu me via às voltas – graças ao meu irmão - com Vinícius de Morais, então não foi difícil compor a trilha sonora do início do primeiro ato da peça.
(Ainda com as luzes da platéia acesas, ouvem-se os
primeiros acordes do Hino da Proclamação da República.
1 Apaga-se a luz da platéia. Ao final da Introdução,
um acorde de violão, e Nara Leão canta, ainda
no escuro.)
NARA
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos...
CORO
Liberdade, liberdade,
Abre as asas sobre nós,
Das lutas, na tempestade,
Dá que ouçamos tua voz...
(Acende-se um refletor sobre Paulo Autran. Ele diz.)
PAULO
Sou apenas um homem de teatro. Sempre fui e sempre
serei um homem de teatro. Quem é capaz de dedicar
toda a vida à humanidade e à paixão existentes nestes
metros de tablado, esse é um homem de teatro.2
Nós achamos que é preciso cantar (Acordes da
Marcha da Quarta-feira de Cinzas3) – Agora, mais
que nunca, é preciso cantar. Por isso,
“Operário do canto, me apresento4
sem marca ou cicatriz, limpas as mãos,
minha alma limpa, a face descoberta,
aberto o peito, e – expresso documento –
a palavra conforme o pensamento.
Fui chamado a cantar e para tanto
há um mar de som no búzio de meu canto.
Trabalho à noite e sem revezamentos.
Se há mais quem cante, cantaremos juntos;
Sem se tornar com isso menos pura,
A voz sobe uma oitava na mistura.
Não canto onde não seja a boca livre,
Onde não haja ouvidos limpos e almas
afeitas a escutar sem preconceito.
Para enganar o tempo – ou distrair
criaturas já de si tão mal atentas,
não canto... Canto apenas quando dança,
nos olhos dos que me ouvem, a esperança”.
l. Trecho do Hino da Proclamação da República, de Leopoldo
Miguez e Osório Duque Estrada.
2. Baseado em textos de Louis Jouvet e de Jean Louis Barrault, do
livro Je Suis Homme de Théatre.
3. Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, de Vinícius de Morais e
Carlos Lyra.
4. Versos de Geir Campos, do poema Da Profissão do Poeta.
acho esses alguns dos mais belos e marcantes versos do nosso teatro. nem era nascido quando foi realizada a estreia do musical Liberdade, Liberdade... criação de Millôr Fernandes e de Flávio Rangel (só googlar), mas tive a oportunidade de ler o livro - quando tinha uns 12 para 13 anos de idade. a curiosidade nasceu por conta de uma foto em p&b do maior de todos, Paulo Autran, que ilustrava uma aspas da peça em um livro de literatura que nos remetia ao estilo literário do capítulo. De punho em riste, olhar fixo no futuro... aquela imagem nunca mais saiu da mente (ouço as vozes e seus ecos, vejo o brilho nos olhos do jovem da primeira fila), não menos pelo ímpeto revolucionário, que apresentava, mas pela necessidade da poesia como complemento para que se pudesse suportar aquele recorte do cotidiano. naquela época eu me via às voltas – graças ao meu irmão - com Vinícius de Morais, então não foi difícil compor a trilha sonora do início do primeiro ato da peça.
(Ainda com as luzes da platéia acesas, ouvem-se os
primeiros acordes do Hino da Proclamação da República.
1 Apaga-se a luz da platéia. Ao final da Introdução,
um acorde de violão, e Nara Leão canta, ainda
no escuro.)
NARA
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos...
CORO
Liberdade, liberdade,
Abre as asas sobre nós,
Das lutas, na tempestade,
Dá que ouçamos tua voz...
(Acende-se um refletor sobre Paulo Autran. Ele diz.)
PAULO
Sou apenas um homem de teatro. Sempre fui e sempre
serei um homem de teatro. Quem é capaz de dedicar
toda a vida à humanidade e à paixão existentes nestes
metros de tablado, esse é um homem de teatro.2
Nós achamos que é preciso cantar (Acordes da
Marcha da Quarta-feira de Cinzas3) – Agora, mais
que nunca, é preciso cantar. Por isso,
“Operário do canto, me apresento4
sem marca ou cicatriz, limpas as mãos,
minha alma limpa, a face descoberta,
aberto o peito, e – expresso documento –
a palavra conforme o pensamento.
Fui chamado a cantar e para tanto
há um mar de som no búzio de meu canto.
Trabalho à noite e sem revezamentos.
Se há mais quem cante, cantaremos juntos;
Sem se tornar com isso menos pura,
A voz sobe uma oitava na mistura.
Não canto onde não seja a boca livre,
Onde não haja ouvidos limpos e almas
afeitas a escutar sem preconceito.
Para enganar o tempo – ou distrair
criaturas já de si tão mal atentas,
não canto... Canto apenas quando dança,
nos olhos dos que me ouvem, a esperança”.
l. Trecho do Hino da Proclamação da República, de Leopoldo
Miguez e Osório Duque Estrada.
2. Baseado em textos de Louis Jouvet e de Jean Louis Barrault, do
livro Je Suis Homme de Théatre.
3. Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, de Vinícius de Morais e
Carlos Lyra.
4. Versos de Geir Campos, do poema Da Profissão do Poeta.
segunda-feira, dezembro 21
sexta-feira, dezembro 11
Elizabeth
rainha do mundo lírico dos que amam como eu.
dona do mar de poesias,
copa repleta das verdes folhas do viver.
|todas carinhosamente cercadas pela alva tez.
a fina flor de sal desse doce mar que me acaricia.|
rainha do mundo lírico dos que amam como eu.
dona do mar de poesias,
copa repleta das verdes folhas do viver.
|todas carinhosamente cercadas pela alva tez.
a fina flor de sal desse doce mar que me acaricia.|
sábado, dezembro 5
aladas
Esqueça a crítica ferrenha aos Estados Unidos. Apague, por alguns minutos, da sua mente o movimento Dogma e sua "naturalidade". Lars Von Trier deixou tudo isso de lado para fazer seu mais novo filme, Anticristo, um terror psicológico, marcado por todos os pesadelos que teve durante os dois anos que passou em depressão.Apesar de o diretor deixar de lado suas abordagens políticas, a ironia é a mesma de sempre: a mais cruel e refinada, com direito a cenas de mutilação genital, sexo explícito e questão “Deus realmente existe?”. E é justamente munido desse sarcasmo, que von Trier apresentou o filme nas coletivas em Cannes, auto-intitulado "o melhor diretor do mundo".
Diante das insistências para que explicasse o filme, foi vago nas respostas e soltou farpas como "eu não me preocupo com a audiência quando faço um filme" ou "foi Deus que me fez escolher essa história e realizar esse filme agora", além de elegê-lo o mais importante da sua carreira. Não é de se espantar, afinal Anticristo nasceu de todos os demônios que ele enfrentou nos anos de seu terror psicológico. O caos reina na história vivida pelos excelentes Charlotte Gainsbourg, premiada com a Palma de Ouro, e William Dafoe.
Para termos a dimensão do significado do filme na vida do diretor, Charlotte disse em entrevista à Folha de S.Paulo que as maiores dificuldades das filmagens foram os constantes ataques de pânico que ele sofria em algumas cenas. “Sabíamos que podia deixar o set a qualquer momento”, revelou.
A natureza demoníaca e o animalesco
Como é prática constante, o cineasta dinamarquês dividiu seu filme em capítulos – “Luto", "Dor (Caos Reina)", "Desespero (Genocídio)" e "Os Três Mendigos", além de trazer um prólogo e um epílogo – para contar a história de um casal (os nomes não são citados em nenhum momento) que se refugia numa floresta isolada, ironicamente chamada de Jardim do Éden, após a morte de seu filho.
Ela, uma escritora, totalmente entregue à dor da perda, ele, um terapeuta, que usa a psicologia cognitiva (abordada da maneira mais irônica a esse tipo de tratamento) para ajudar a esposa. Já envoltos na vastidão da natureza, o vegetal, o animal e, principalmente, os instintos humanos se misturam numa saga bíblica que mexe com a moral e os valores dos espectadores. Von Trier tira de Charlotte uma mulher em seu estado mais frágil e faz um retrato visceral, que de tão animalesco soa pornográfico.
A premissa é "e se a natureza fosse criada pelo anticristo?". Vale lembrar, aqui, que Lars von Trier é filho de pais ateus e tem, desde os 12 anos de idade, um exemplar de O Anticristo, manifesto anticristianismo de Friedrich Nietzsche, em sua cabeceira. Mesmo com esse histórico, o cineasta, implicante como é, se converteu ao Cristianismo em certo momento da vida, porém hoje perdeu novamente a fé na religião – embora sua nova obra seja toda permeada por símbolos e citações místicas.

A plástica do filme
Diferente da proposta de seus outros filmes, com câmeras no ombro e imagem o mais natural possível (herança do movimento Dogma), aqui, em Anticristo, ele investe na estética. A bela fotografia é assinada por Antony Dod Mantle (o mesmo de Quem Quer Ser um Milionário) e, desde a poética abertura, rodada em preto e branco e em câmera lenta, já impressiona. Nela, um casal faz sexo, de forma idílica e intensa, no momento em que seu filho pequeno sai do berço, se aproxima da janela e dali cai.
A música de fundo, neste prólogo, compõe a ironia: Lascia Ch’io Pianga, de Händel, com interpretação da soprano norueguesa Tuva Semmingsen, fecha uma das cenas mais belas dos últimos tempos.
Ironia ou homenagem?
Encerrado o filme, uma tela negra. Pouco mais de dois segundos, o espectador se depara com a frase: "Dedicado a Andrei Tarkovski (1932 a 1986)”. Depois do bombardeio de metáforas antisemitas, a impressão que dá é de um sarcasmo despudorado, já que o famoso cineasta russo tem na sua cinematografia um forte compromisso com o sagrado.
No entanto, Von Trier justificou e esclareceu essa dúvida na época do Festival de Cannes. "Para mim ele era uma espécie de deus. Me sinto ligado a ele, assim como a Bergman", comentou. “Meu trabalho e o dele têm uma relação religiosa. A primeira vez que assisti a um filme do Tarkovski, The Mirror (O Espelho), entrei em êxtase. Dedicaria todos os meus filmes a ele”, revelou.
Se entregue ao pesadelo
Lars Von Trier sabia o que fazia quando não quis explicar seu filme (e na verdade, que obra deve ser explicada?). E assim deve fazer o seu espectador. Anticristo não é um filme para ser explicado. Deve ser enfrentado (com muita coragem), sentido. Diante de todos aqueles símbolos e referências, ele só pede que você mergulhe nos seus pesadelos mais tenebrosos e busque algum significado, o seu significado.
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