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terça-feira, novembro 15

"Contra a ignorância, o terror, a falta de educação, o conforto moral, a fome, a falta de dentes, a falta de amores, nós fazemos teatro! Fazemos teatro pra dar sentido às potencialidades, pra ocupar o tempo, pra desatolar o coração, pra provocar instintos, pra fertilizar razões, por uns trocados, porque é fundamental e porque é inútil. Pra subir na vida, pra cair de quatro, pra se enganar e se conhecer. Nós fazemos teatro pra morrer de rir e pra morrer melhor."

sei de onde saiu não!

domingo, agosto 7

petrarquiano

dois quartetos
dois tercetos
num aguento!
essa vidinha de soneto

dez versos
quatro estrofes
rima rica
coisa de esnobe

melodia?, a vida até tem
se o coração vazio
poeminha de ninguém

esperança de um dia
ela olhar a chuva caindo
lembrança do soneto repentino
........

dos olhos, reluzente brilho
das lagrimas, perene rio
esse sonetinho num vale vintém.

segunda-feira, maio 10

aos poucos vamos perdendo os nossos velhinhos. nunca é bom e sempre demora a paz no peito.

sábado, dezembro 5

aladas

Esqueça a crítica ferrenha aos Estados Unidos. Apague, por alguns minutos, da sua mente o movimento Dogma e sua "naturalidade". Lars Von Trier deixou tudo isso de lado para fazer seu mais novo filme, Anticristo, um terror psicológico, marcado por todos os pesadelos que teve durante os dois anos que passou em depressão.

Apesar de o diretor deixar de lado suas abordagens políticas, a ironia é a mesma de sempre: a mais cruel e refinada, com direito a cenas de mutilação genital, sexo explícito e questão “Deus realmente existe?”. E é justamente munido desse sarcasmo, que von Trier apresentou o filme nas coletivas em Cannes, auto-intitulado "o melhor diretor do mundo".

Diante das insistências para que explicasse o filme, foi vago nas respostas e soltou farpas como "eu não me preocupo com a audiência quando faço um filme" ou "foi Deus que me fez escolher essa história e realizar esse filme agora", além de elegê-lo o mais importante da sua carreira. Não é de se espantar, afinal Anticristo nasceu de todos os demônios que ele enfrentou nos anos de seu terror psicológico. O caos reina na história vivida pelos excelentes Charlotte Gainsbourg, premiada com a Palma de Ouro, e William Dafoe.

Para termos a dimensão do significado do filme na vida do diretor, Charlotte disse em entrevista à Folha de S.Paulo que as maiores dificuldades das filmagens foram os constantes ataques de pânico que ele sofria em algumas cenas. “Sabíamos que podia deixar o set a qualquer momento”, revelou.

A natureza demoníaca e o animalesco

Como é prática constante, o cineasta dinamarquês dividiu seu filme em capítulos – “Luto", "Dor (Caos Reina)", "Desespero (Genocídio)" e "Os Três Mendigos", além de trazer um prólogo e um epílogo – para contar a história de um casal (os nomes não são citados em nenhum momento) que se refugia numa floresta isolada, ironicamente chamada de Jardim do Éden, após a morte de seu filho.

Ela, uma escritora, totalmente entregue à dor da perda, ele, um terapeuta, que usa a psicologia cognitiva (abordada da maneira mais irônica a esse tipo de tratamento) para ajudar a esposa. Já envoltos na vastidão da natureza, o vegetal, o animal e, principalmente, os instintos humanos se misturam numa saga bíblica que mexe com a moral e os valores dos espectadores. Von Trier tira de Charlotte uma mulher em seu estado mais frágil e faz um retrato visceral, que de tão animalesco soa pornográfico.

A premissa é "e se a natureza fosse criada pelo anticristo?". Vale lembrar, aqui, que Lars von Trier é filho de pais ateus e tem, desde os 12 anos de idade, um exemplar de O Anticristo, manifesto anticristianismo de Friedrich Nietzsche, em sua cabeceira. Mesmo com esse histórico, o cineasta, implicante como é, se converteu ao Cristianismo em certo momento da vida, porém hoje perdeu novamente a fé na religião – embora sua nova obra seja toda permeada por símbolos e citações místicas.


A plástica do filme

Diferente da proposta de seus outros filmes, com câmeras no ombro e imagem o mais natural possível (herança do movimento Dogma), aqui, em Anticristo, ele investe na estética. A bela fotografia é assinada por Antony Dod Mantle (o mesmo de Quem Quer Ser um Milionário) e, desde a poética abertura, rodada em preto e branco e em câmera lenta, já impressiona. Nela, um casal faz sexo, de forma idílica e intensa, no momento em que seu filho pequeno sai do berço, se aproxima da janela e dali cai.

A música de fundo, neste prólogo, compõe a ironia: Lascia Ch’io Pianga, de Händel, com interpretação da soprano norueguesa Tuva Semmingsen, fecha uma das cenas mais belas dos últimos tempos.

Ironia ou homenagem?

Encerrado o filme, uma tela negra. Pouco mais de dois segundos, o espectador se depara com a frase: "Dedicado a Andrei Tarkovski (1932 a 1986)”. Depois do bombardeio de metáforas antisemitas, a impressão que dá é de um sarcasmo despudorado, já que o famoso cineasta russo tem na sua cinematografia um forte compromisso com o sagrado.

No entanto, Von Trier justificou e esclareceu essa dúvida na época do Festival de Cannes. "Para mim ele era uma espécie de deus. Me sinto ligado a ele, assim como a Bergman", comentou. “Meu trabalho e o dele têm uma relação religiosa. A primeira vez que assisti a um filme do Tarkovski, The Mirror (O Espelho), entrei em êxtase. Dedicaria todos os meus filmes a ele”, revelou.

Se entregue ao pesadelo

Lars Von Trier sabia o que fazia quando não quis explicar seu filme (e na verdade, que obra deve ser explicada?). E assim deve fazer o seu espectador. Anticristo não é um filme para ser explicado. Deve ser enfrentado (com muita coragem), sentido. Diante de todos aqueles símbolos e referências, ele só pede que você mergulhe nos seus pesadelos mais tenebrosos e busque algum significado, o seu significado.

quinta-feira, agosto 20

de agora em diante... tudo é Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes. o resto?, inclusive a paz que havia planejado para o meu aniversário, tudo é ilusão. tudo.

sexta-feira, julho 31

quarta-feira, julho 22

a vida é imenso caos. por isso creio em apenas duas saídas: um tiro na cabeça ou uma gargalhada sem pudores (uma espécie de síndrome do espelho invertido). saudades de ser palhaço.
e-mail:

"Cara, você também causou em mim este desejo de saber. Os encontros são ricos e a interlocução apaixonada. Somos assim: intensos, apaixonados e implacáveis na forma. Se seu texto comoveu e causou reação tão singular é porque você se colocou nele. Nietsche, Freud, Bataille e todos aqueles que ousaram pensar também com suas víceras incomodaram saudavelmente. Não há outra maneira. Vosmicê é um grande pensador e terá que se haver com os efeitos disso. E também quero ouvi-lo."

segunda-feira, julho 20

Coração em Desalinho
Composição: Mauro Diniz-Ratinho

Numa estrada dessa vida
Eu te conheci
Oh Flor!
Vinhas tão desiludida
Mal sucedida
Por um falso amor...

Dei afeto e carinho
Como retribuição
Procuraste um outro ninho
Em desalinho
Ficou o meu coração
Meu peito agora é só paixão
Meu peito agora é só paixão...

Tamanha desilusão
Me deste
Oh Flor!
Me enganei redondamente
Pensando em te fazer o bem
Eu me apaixonei
Foi meu mal...

Agora!
Uma enorme paixão me devora
Alegria partiu, foi embora
Não sei viver sem teu amor
Sozinho curto a minha dor...

Numa estrada!
Numa estrada dessa vida
Eu te conheci
Oh Flor!
Vinhas tão desiludida
Mal sucedida
Por um falso amor...

Dei afeto!
Dei afeto e carinho
Como retribuição
Procuraste um outro ninho
Em desalinho
Ficou o meu coração
Meu peito agora é só paixão
Meu peito agora é só paixão...

Tamanha desilusão
Me deste
Oh Flor!
Me enganei redondamente
Pensando em te fazer o bem
Eu me apaixonei
Foi meu mal...

Agora!
Uma enorme paixão me devora
Alegria partiu, foi embora
Não sei viver sem teu amor
Sozinho curto a minha dor
Sozinho curto a minha dor
Sozinho curto a minha dor...

terça-feira, julho 14

Retrato


Ela: oi!

Ele: owlas (exclamações)

Ela: ta vivo?

Ele: sim. muito trabalho, mas estou bem. e o nosso cine semanal? vamos neste fim de semana.

Ela: nem comento. no fim de semana você não existe. é uma vaga lembrança... J

Ele: te amo.

domingo, maio 24

na verdade estar aqui e ser assim,
afeito ao que é amargo e às promessas possíveis
e ainda assim intangíveis de amor,
é simplesmente a vontade
de se estar à altura desse momento único,
recortado no tempo,
que chamam de vida.

terça-feira, maio 12

eu não estou inspirada neste momento e o gosto de cigarro e de cerveja em minha boca, mais a frustração de estar sem sexo me impedem de pensar em qualquer coisa que não seja um banho quente e em meus lençois finos.

aqueles novos, que eu comprei?

não, me apetessem mais os velhos e surrados que carregam minhas memórias, minhas dores e meus sorrisos (bem, esquece esta coisa de sorriso, não seria esta a palavra correta para esse mover de lábios em sosláio). me passe um cigarro?

sim, mas coloque uma música, é preciso ter som nisso tudo.

e eu apenas queria um texto em quatro mãos? para o resto... eu preciso comer mais feijão. não ria das minhas preocupações tão chocolate, são apenas essas coisas que fazem do universo masculino lugar comum que qualquer camiseta regata resolve, entende? por isso talvez eu seja menos afeito a elas. sou mais o rosa, o andar com cuidado, como caminhar em nuvens...

domingo, abril 26

o que é psíquico é tão único e singular que nenhuma comparação pode refletir a sua natureza.


Freud

terça-feira, março 31

1964

é assim mesmo. em tipos altos, cólera nos olhos e dedos inquietos, no coração?, batidas firmes e traquilas. quero que sejam minhas as palavras da Camila Rodrigues.

aspas
ENQUANTO A GENTE TIVER QUE ENGOLIR CALADO A "DITABRANDA" DEFENDIDA PELA FOLHA DE SÃO PAULO, IGNORAR TODAS AS HERANÇAS DEIXADAS PELA DITADURA EM NOSSA SOCIEDADE, SÓ PODEREMOS TER QUE ENGOLIR MILITARES "COMEMORANDO" O QUE ELES AINDA CHAMAM DE "REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA"... ORA, O DIA 31 DE MARÇO, COMO DISSE A SENHORA DO "TORTURA NUNCA MAIS" É UMA VERGONHA PARA A MEMÓRIA DESTE PAÍS, ENTRETANTO OS MILITARES AINDA REPRODUZEM O DISCURSO QUE TERIA QUE SER IMPOSSÍVEL DE SER ACEITO: SÓ AGORA EM 2009 UM MILITAR FOI CONSIDERADO CULPADO PELA TORTURA DE DUAS PESSOAS! DUAS PESSOAS... E AS OSSADAS DO CEMINTÉRIO DE PERUS, POR EXEMPLO? AQUILO FOI RESULTADO DE UM PEQUENO ACIDENTE?
COMO EU FALAVA MUITO AOS MEUS ALUNOS NO ANO PASSADO: NÃO QUERO CONVENCÊ-LOS DO QUE EU CONSIDERO MELHOR, SÓ QUERO É QUE ELES NÃO ACREDITEM DE ANTEMÃO EM TUDO O QUE FALAM, APRENDAM A REFLETIR CRITICAMENTE SOBRE AS COISAS, SE ELES TOMAREM ISSO COMO HÁBITO, VÃO SE SAIR BEM EM MUITOS MOMENTOS DA VIDA.
SE PUDEREM, ASSISTAM AO VÍDEO E O DIVULGUEM PARA QUE TODOS POSSAM FORMAR SUAS PRÓPRIAS OPINIÕES.
CAMILA
aspas

sexta-feira, março 20

Vivas ao Homem-índio da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima!!!

Mais de 1,7 milhões de hectares de terra, no extremo norte de Roraima e uma quadrilha comandada por uma meia-dúzia-de-bem-corados-e-nutridos arrozeiros.

Esse era o nome do jogo.


sábado, março 14

Entre les murs I


em 2002/2003 trabalhei em um projeto de análise comparativa, os jornais brasileiros e franceses estavam em pauta. na época pipocava em toda mídia francesa matérias sobre os problemas nas escolas públicas - principalmente naquelas da periferia. lá, jornais como o France 2 debatiam a situação à exaustão, mas não bastou. dali há alguns meses estourou aquela série de conflitos nos subúrbios de Paris. Levantes que tinham à frente filhos de, e imigrantes desempregados e inadequados à sociedade parisiense.

Entre les murs II



é fácil perceber causadequê Entre les murs nem foi lembrado para o Oscar: ele reflete o outro. a sociedade estadunidense tem um certo probleminha com essa coisa de outridade. bom, eu não sou ninguém importante e/ou qualificado para dizer: "A derrota no César, prêmio da academia francesa, e a perda do Oscar de filme estrangeiro não abalam Cantet. Nem deveriam: seu filme está muito acima das idiossincrasias acadêmicas. Até por olhar para a educação, tema chave para entender os problemas sociais atuais, é um dos grandes filmes de sua época." o que posso fazer é indicar uma boa leitura aquis, alis, alhures e acolás para aqueles que gostam de cinema.

quarta-feira, março 4

Nunca gostei de praia,
muito menos me encantou aquele Rio de Janeiro dos postais,
das descrições singelas de meu amor.
Mas pisarei em suas areias,
sentirei os seus cheiros
e olharei suas paisagens.

Contemplarei.
Não direi uma só palavra.
E serei salvo.

terça-feira, fevereiro 24

viver.
passar horas
em segundos a fio,
longos e sofridos.
esperar com ansiedade,
angústia, medo e desejo
o momento de encontrar o olhar,
do tocar de mãos,
do sentir do corpo,
de deixar o coração se embriagar de êxtase,
da alma voar livre,
e da razão esquecer-se,
e enfim amar.
ser o despojamento da razão,
e muito mais que a loucura da paixão.
Ser a serenidade
de dois seres que formam um.
e este um, formado por cada um.

img: Edgar Ausderix
Pássaros

domingo, janeiro 25


"O Curioso Caso de Benjamin Button". um filme, antes de tudo, sobre a existência. Sobre o viver.


e por falar em existir...

nota.

um minuto de silêncio em homenagem a quem deixou esse exercício mais leve para pessoas como eu: Jilçária Cruz Costa ou - simplesmente e com um sorriso no rosto -Tia Doca. ela se encantou na tarde deste domingo (25/01).

bom, o minuto já passou. então agora vamos encurtar o tempo do surdo e entoar um samba bonito. os deuses do samaba devem ser celebrados e reverenciados como se manda a tradição.
choro?, apenas de gente da estirpe de mestres como Pixinguinha e Altamiro Carrilho.