sexta-feira, julho 31
quarta-feira, julho 22
"Cara, você também causou em mim este desejo de saber. Os encontros são ricos e a interlocução apaixonada. Somos assim: intensos, apaixonados e implacáveis na forma. Se seu texto comoveu e causou reação tão singular é porque você se colocou nele. Nietsche, Freud, Bataille e todos aqueles que ousaram pensar também com suas víceras incomodaram saudavelmente. Não há outra maneira. Vosmicê é um grande pensador e terá que se haver com os efeitos disso. E também quero ouvi-lo."
segunda-feira, julho 20
Composição: Mauro Diniz-Ratinho
Numa estrada dessa vida
Eu te conheci
Oh Flor!
Vinhas tão desiludida
Mal sucedida
Por um falso amor...
Dei afeto e carinho
Como retribuição
Procuraste um outro ninho
Em desalinho
Ficou o meu coração
Meu peito agora é só paixão
Meu peito agora é só paixão...
Tamanha desilusão
Me deste
Oh Flor!
Me enganei redondamente
Pensando em te fazer o bem
Eu me apaixonei
Foi meu mal...
Agora!
Uma enorme paixão me devora
Alegria partiu, foi embora
Não sei viver sem teu amor
Sozinho curto a minha dor...
Numa estrada!
Numa estrada dessa vida
Eu te conheci
Oh Flor!
Vinhas tão desiludida
Mal sucedida
Por um falso amor...
Dei afeto!
Dei afeto e carinho
Como retribuição
Procuraste um outro ninho
Em desalinho
Ficou o meu coração
Meu peito agora é só paixão
Meu peito agora é só paixão...
Tamanha desilusão
Me deste
Oh Flor!
Me enganei redondamente
Pensando em te fazer o bem
Eu me apaixonei
Foi meu mal...
Agora!
Uma enorme paixão me devora
Alegria partiu, foi embora
Não sei viver sem teu amor
Sozinho curto a minha dor
Sozinho curto a minha dor
Sozinho curto a minha dor...
sexta-feira, julho 17
Rafa, moleque de 8 anos, de sorriso fácil, resolveu nos deixar. Isso ainda está batendo aqui como uma elegia desesperada, como um lamento piedoso que bate, bate e bate, deixando-nos surdos, cegos e incrédulos. é difícil sim crer nesta entidade maior que uns chamam deus. como pode ter tantas almas na mão, tantas vidas em seu colo e ser tão frio, tão calculista e obstinado a amputar de nosso corpo a parte mais pura. hoje acordamos sem o Rafa, quis o Rafa mais uma vez, quis arrancar o Rafa que existe dentro do peito do pai que o Wanderson hoje é. mas é impossível, os filhos e os pais, como os amores de verdade, são para sempre.em alguma parte do universo há um sorriso fácil como o do Rafa para deixar isso aqui menos dor. me dói escrevê-lo. escrever para ficar livre. tudo tão egoísta.
terça-feira, julho 14
sábado, julho 11
terça-feira, junho 30
Banha-me,
Acalma-me a alma
Isso que me ladeia
Encanta-me com sua harpa
Mesmo este resto que ainda é dor
Rio meu, de margens tortas
Corredeiras
Feitas de pedras finas, lisas e faceiras
Perco-me em seus leitos
Peitos de meninas esculpidas em argila.
A benção de um Rio de Janeiro
São Sebastião.
sexta-feira, junho 12
quarta-feira, junho 3
*"Dói internar um filho.
Às vezes não há outro jeito"
ontem, lendo uma reportagem de uma revista semanal que trazia entre outras fontes *Ferreira Gullar... me lembrei de Sorôco, do Guima. o tema da reportagem era como sempre o da moda: o sofrimento mental, que foi guindado às grandes rodas de discussões graças a um personagem da novela global. bem, como o tema veio à baila pouco nos interessa, afinal, a sociedade é movida por esses repentes midiáticos mesmo, mas o que nos toca aqui é olhar para a questão, e Ferreira o faz com a sensibilidade de quem sentiu o arfar da realidade dos sonhos sobre os ombros dos filhos.
ao meu ver o diálogo a respeito das questões psíquicas em nosso país ainda se arrastam, apesar de tudo isso que uns apontam como avanços dignos de nota e louvor. mas não. na prática a coisa funciona de uma outra forma. profissionais trocam o diálogo com os familiares por "jaules" e um abraço amigo por doses cavalares de Aldol. em Belo Horizonte, a clínica Casa Freud, que tinha a proposta mais honesta e digna sobre a qual já ouvi falar e pude ler sobre não foi à frente. conversando com o seu idealizador, ouvi que faltava apoio. bem, e é essa mesma sociedade, que nega apoio a projetos responsáveis, que vira o rosto para o diferente, que quer sentar para discutir a questão. não, melhor não. é melhor deixar a fala apenas para pessoas que, como Gullar, sentem ou sentiram o que é partilhar a ilusão das coisas com os seus entes queridos.
Foto: reprodução Epoca - Gullar posa
no apartamento em que mora sozinho,
em Copacabana. O filho Paulo vive há
cinco anos num sítio em Pernambuco.
Sorôco, sua mãe, sua filha
Aquele carro parara na linha de resguardo, desde a véspera, tinha vindo com o expresso do Rio, e estava lá, no desvio de dentro, na esplanada da estação. Não era um vagão comum de passageiros, de primeira, só que mais vistoso, todo novo. A gente reparando, notava as diferenças. Assim repartido em dois, num dos cômodos as janelas sendo de grades, feito as de cadeia, para os presos. A gente sabia que, com pouco, ele ia rodar de volta, atrelado ao expresso daí de baixo, fazendo parte da composição. Ia servir para levar duas mulheres, para longe, para sempre. O trem do sertão passava às 12h45m.
As muitas pessoas já estavam de ajuntamento, em beira do carro, para esperar. As pessoas não queriam poder ficar se entristecendo, conversavam, cada um porfiando no falar com sensatez, como sabendo mais do que os outros a prática do acontecer das coisas. Sempre chegava mais povo – o movimento. Aquilo quase no fim da esplanada, do lado do curral de embarque de bois, antes da guarita do guarda-chaves, perto dos empilhados de lenha. Sorôco ia trazer as duas, conforme. A mãe de Sorôco era de idade, com para mais de uns setenta. A filha, ele só tinha aquela. Sorôco era viúvo. Afora essas, não se conhecia dele o parente nenhum. (continua).
domingo, maio 24
afeito ao que é amargo e às promessas possíveis
e ainda assim intangíveis de amor,
é simplesmente a vontade
de se estar à altura desse momento único,
recortado no tempo,
que chamam de vida.
domingo, maio 17
morada da dama de rapina, cortina de rocha que me adorna e me acovarda a alma, durma no silêncio, atlântica-cerradeira, embalada nas rochas e sob o olhar da deusa natureza. petrifique este amor que, ora adormecido, hoje se nega ao olvido -feridas banhadas pelo malte destilado, aquelas que me calam a alma.
morada da dama de rapina, banha-me em suas águas, fruto de suas chagas, unja meu sorriso, me faz homem sem destino.
morada da dama de rapina, cortina de rocha lisa, alise com sua sombra a minha face vincada de sobrancelhas grossas e pupilas negras.
morada da dama de rapina, berço das minhas alegrias, dos meus melhores dias, me cure de mais este dia.
terça-feira, maio 12
aqueles novos, que eu comprei?
não, me apetessem mais os velhos e surrados que carregam minhas memórias, minhas dores e meus sorrisos (bem, esquece esta coisa de sorriso, não seria esta a palavra correta para esse mover de lábios em sosláio). me passe um cigarro?
sim, mas coloque uma música, é preciso ter som nisso tudo.
e eu apenas queria um texto em quatro mãos? para o resto... eu preciso comer mais feijão. não ria das minhas preocupações tão chocolate, são apenas essas coisas que fazem do universo masculino lugar comum que qualquer camiseta regata resolve, entende? por isso talvez eu seja menos afeito a elas. sou mais o rosa, o andar com cuidado, como caminhar em nuvens...
quinta-feira, maio 7

Eu tive um sonho
Que eu estava certo dia
Num congresso mundial
Discutindo economia
Argumentava
Em favor de mais trabalho
Mais emprego, mais esforço
Mais controle, mais-valia
Falei de pólos
Industriais, de energia
Demonstrei de mil maneiras
Como que um país crescia
E me bati
Pela pujança econômica
Baseada na tônica
Da tecnologia
Apresentei
Estatísticas e gráficos
Demonstrando os maléficos
Efeitos da teoria
Principalmente
A do lazer, do descanso
Da ampliação do espaço
Cultural da poesia
Disse por fim
Para todos os presentes
Que um país só vai pra frente
Se trabalhar todo dia
Estava certo
De que tudo o que eu dizia
Representava a verdade
Pra todo mundo que ouvia
Foi quando um velho
Levantou-se da cadeira
E saiu assoviando
Uma triste melodia
Que parecia
Um prelúdio bachiano
Um frevo pernambucano
Um choro do Pixinguinha
E no salão
Todas as bocas sorriram
Todos os olhos me olharam
Todos os homens saíram
Um por um
Um por um
Um por um
Um por um
Fiquei ali
Naquele salão vazio
De repente senti frio
Reparei: estava nu
Me despertei
Assustado e ainda tonto
Me levantei e fui de pronto
Pra calçada ver o céu azul
Os estudantes
E operários que passavam
Davam risada e gritavam:
"Viva o índio do Xingu!
"Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!"
imagem: Roberto Jayme/Reuters (ele vai me perdoar
pela distorção da imagem, era preciso)