questões ao dr. gato de alice I
dr. gato de alice: alô?
você: olá! dr. gato? como vai?
dr. gato de alice: hum...
você: estou com um sério problema, senhor gato.
dr. gato de alice: hum...
você: eu amo ler e reler o livro de um autor. só que acho esse escritor um picareta, um canalha ingrato que cuspiu no prato em que comeu. um imbecil que não soube ser grato ao ombro amigo. mas, não adianta, dr. gato, sempre quando estou em frente à minha estante... passo o dedo em todos os livros... e sempre volto ao mesmo conto, o desse filho de uma puta.
dr. gato de alice: hum...
você: dr., o que é que está acontecendo comigo dr.?
dr. gato de alice: bem. você só está com um certo sentimento de autopiedade, coisa pouca. dê uma guglada... lá explica tudo. num esquenta não, faça o velho e bom exercício: compre um vestidinho novo, uma sandalhinha bacana, um tijolinho de ganja e combine com os seus amiguinhos "descolados" uma viagem a milho verde, o último point do momento... dos alternativos. como sempre... faça isso uma vez por mês (duas, caso o papai deposite a grana até o dia 20). sempre funciona.
você: dr., o senhor é o máximo!
dr. gato de alice: ok. muito obrigado por sua participação, como você já sabe, a nossa conversa está sendo gravada, anote, por favor, o número de seu protocolo.
quinta-feira, novembro 19
sexta-feira, novembro 13
Enquanto você na arquibancada eu na geral
Enquanto eu além de tudo você afinal
Enquanto eu rondó você madrigal...
Enquanto eu paro e penso você avança o sinal
Enquanto você carta marcada eu canastra real
Enquanto eu lugar-comum você especial
Enquanto eu na cozinha você no quintal...
Você dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Enquanto você kamikase eu general
Enquanto eu paquetá você cabo canaveral
Enquanto eu média luz você carnaval...
Enquanto você no olimpo ai de mim mortal
Enquanto você brisa eu vendaval
Enquanto você Roberto eu Hermeto Pascoal
Você dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Enquanto você monumento eu pedra de sal
Enquanto você na folia eu no funeral
Enquanto eu matriz você filial...
Enquanto você Branca de Neve eu Lobo Mau
Enquanto eu papai-e-mamãe você sexo oral
Enquanto eu na canção você no parque industrial
Você dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Enquanto eu além de tudo você afinal
Enquanto eu rondó você madrigal...
Enquanto eu paro e penso você avança o sinal
Enquanto você carta marcada eu canastra real
Enquanto eu lugar-comum você especial
Enquanto eu na cozinha você no quintal...
Você dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Enquanto você kamikase eu general
Enquanto eu paquetá você cabo canaveral
Enquanto eu média luz você carnaval...
Enquanto você no olimpo ai de mim mortal
Enquanto você brisa eu vendaval
Enquanto você Roberto eu Hermeto Pascoal
Você dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Enquanto você monumento eu pedra de sal
Enquanto você na folia eu no funeral
Enquanto eu matriz você filial...
Enquanto você Branca de Neve eu Lobo Mau
Enquanto eu papai-e-mamãe você sexo oral
Enquanto eu na canção você no parque industrial
Você dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Dois pra lá, e eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
sexta-feira, novembro 6
segunda-feira, novembro 2
domingo, novembro 1
quinta-feira, outubro 29
terça-feira, outubro 27
Tenho lido os 100 Sonetos de Amor, de Neruda. Leitura muito agradável e muito tenho me surpreendido do tanto de Vinícius que encontro em Neruda. Não sei se aquele está realmente neste, ou se simplesmente suponho e desejo essa existência literária. De certo há que essa vontade de voltar aos contos do Pablão, que nos deixou naquele ano de 1973, nasceu da visita ao musical “Tom e Vinícius”, direção de Daniel Herz, que esteve aqui de passagem por Belo Horizonte. Aliás, permitam-me... a peça nada mais faz que ficar no Vinícius de sempre. Uma pena, pois a impressão que tenho é que nada mais será feito com o intuito desvelar o verdadeiro Poetinha depois do Documentário Vinícius, do Miguel Faria Jr.. Mas vamos às vacas frias. O que eu queria mesmo com esse post era apenas deixar aqui para vocês duas das coisas que mais me tocam desses dois escritores.
Soneto de Vinicius Dedicado a Neruda.
05 Soneto de Vinicius Dedicado a Neruda.wma
Quantos caminhos não fizemos juntos
Neruda, meu irmão, meu companheiro...
Mas este encontro súbito, entre muitos
Não foi ele o mais belo e verdadeiro?
Canto maior, canto menor - dois cantos
Fazem-se agora ouvir sob o cruzeiro
E em seu recesso as cóleras e os prantos
Do homem chileno e do homem brasileiro
E o seu amor - o amor que hoje encontramos...
Por isso, ao se tocarem nossos ramos
Celebro-te ainda além, cantor geral
Porque como eu, bicho pesado, voas
Mas mais alto e melhor do céu entoas
Teu furioso canto material!
Vinicius de Moraes
Soneto I **
Matilde, nombre de planta o piedra o vino,
de lo que nace de la tierra y dura,
palabra en cuyo crecimiento amanece,
en cuyo estío estalla la luz de los limones.
En ese nombre corren navíos de madera
rodeados por enjambres de fuego azul marino,
y esas letras son el agua de un río
que desemboca en mi corazón calcinado.
Oh nombre descubierto bajo una enredadera
como la puerta de un túnel desconocido
que comunica con la fragancia del mundo!
Oh invádeme con tu boca abrasadora,
indágame, si quieres, con tus ojos nocturnos,
pero en tu nombre déjame navegar y dormir.
*Vinicius de Moraes en São Paolo 'Homenagem aos três Pablos'
**100 sonetos de amor, pablo neruda
Soneto de Vinicius Dedicado a Neruda.
05 Soneto de Vinicius Dedicado a Neruda.wma
Quantos caminhos não fizemos juntos
Neruda, meu irmão, meu companheiro...
Mas este encontro súbito, entre muitos
Não foi ele o mais belo e verdadeiro?
Canto maior, canto menor - dois cantos
Fazem-se agora ouvir sob o cruzeiro
E em seu recesso as cóleras e os prantos
Do homem chileno e do homem brasileiro
E o seu amor - o amor que hoje encontramos...
Por isso, ao se tocarem nossos ramos
Celebro-te ainda além, cantor geral
Porque como eu, bicho pesado, voas
Mas mais alto e melhor do céu entoas
Teu furioso canto material!
Vinicius de Moraes
Soneto I **
Matilde, nombre de planta o piedra o vino,
de lo que nace de la tierra y dura,
palabra en cuyo crecimiento amanece,
en cuyo estío estalla la luz de los limones.
En ese nombre corren navíos de madera
rodeados por enjambres de fuego azul marino,
y esas letras son el agua de un río
que desemboca en mi corazón calcinado.
Oh nombre descubierto bajo una enredadera
como la puerta de un túnel desconocido
que comunica con la fragancia del mundo!
Oh invádeme con tu boca abrasadora,
indágame, si quieres, con tus ojos nocturnos,
pero en tu nombre déjame navegar y dormir.
*Vinicius de Moraes en São Paolo 'Homenagem aos três Pablos'
**100 sonetos de amor, pablo neruda
segunda-feira, outubro 12
quarta-feira, setembro 16
vida a dois
eu: ei delegado
tudo bem?
Helbert: caminhando...
caminhando...
to tendo muita discussão la em casa
eu: é
mas a gente vai levando
Helbert: pois eh!
Maristella não entende que nao deve comer o edredom
ki os ralos não foram feitos para servirem de brinquedos
ki o sofá foi feito para gente de duas patas
ki ela não pode dormir no quarto
eu: foda
Helbert: tá difícil viu
acho q vou deportá-la
hahahahahahha
eu: escreve um post para ela
Helbert: se bobear ela como o papel.
tudo bem?
Helbert: caminhando...
caminhando...
to tendo muita discussão la em casa
eu: é
mas a gente vai levando
Helbert: pois eh!
Maristella não entende que nao deve comer o edredom
ki os ralos não foram feitos para servirem de brinquedos
ki o sofá foi feito para gente de duas patas
ki ela não pode dormir no quarto
eu: foda
Helbert: tá difícil viu
acho q vou deportá-la
hahahahahahha
eu: escreve um post para ela
Helbert: se bobear ela como o papel.
sexta-feira, setembro 4
O dia amanheceu claro. O céu borrado de azul parecia denunciar um motim orquestrado pelo verão que teimava não ceder lugar às folhas secas do outono. O cheiro de café fresco e quente aquecia e estimulava o olfato, dominando o perfume de eucalipto ainda molhado pela chuva que venceu a madrugada e que, de joelhos, pediu bênçãos ao primeiro raiar daquela manhã. Sim. Eram 6 horas da manhã. Lembro porque, no rádio de válvulas, o terço era cantado. Cantado por pessoas simples, de olhar temente e mãos marcadas por vincos que se confundiam com as valas onde semeavam cafés. Sim, eu vi. Eu estava lá, sentado à sala, em frente à porta aberta, ao azul no céu e, no mesmo instante, sentia as mãos das donas daquelas vozes femininas que entoavam o padre nosso e uma salve rainha me acariciando a fronte, como quem diz: “siga. A vida é feita da falta também. E nem por isso ela deixa de ter cheiro de café fresco, passado na hora.”
quinta-feira, agosto 20
de agora em diante... tudo é Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes. o resto?, inclusive a paz que havia planejado para o meu aniversário, tudo é ilusão. tudo.
quinta-feira, agosto 6
"Baú de Ossos"
Quando chegávamos era hora do café na sala de jantar da Inhá Luíza. Café fresco, pelando, bem fraco e servido em xícaras grandes. Vinha forte e era adicionado, na hora, da água quente que a Rosa e a Deolinda despejavam das chaleiras de ferro que tinham que ficar segurando ao lado da mesa. Leite, não. Quando muito, queijo-de-minas para pecar e deixar amolecendo dentro do café fervente. Pão alemão fofo e macio, cheiroso, ao partir, como um trigal. E o cuscuz de fubá doce. Feito em metades das latas do queijo do reino furadas a prego e onde a mistura cozia em cima do vapor de uma panela. Já no jardim se sentia o cheiro do café, do pão, do fubá, do açúcar mulatinho.
Pedro Nava, Baú de Ossos, Rio, 1972.
sexta-feira, julho 31
Assinar:
Postagens (Atom)