domingo, junho 15

é a melhor de todas as definições:

"Saudade é ser, depois de ter." (G. Rosa)

a vida toda em uma só madrugada. fria madrugada.

pupilas dilatadas.
um deserto na boca.

o instante tinha cinco letras.

sexta-feira, junho 6

ela, ele e a filha da costureira

O dia estava belo, com pássaros cantantes, libélulas esfuziantes e um cheiro de mato verde de dar água na boca das vaquinhas leiteiras. Mas, por sob a mangueira, a garota (antes faceira), se desmanchava em lágrimas doces que, caídas ao pé da roseira, alimentava os botões vermelhos - símbolo do amor maior de seu amado pela filha, já moça, da costureira.

sábado, maio 3

Inviting silence

Já não tenho muito o que dizer não. o pouco que alardeava aqui dentro se calou, mas os disparos das inconstâncias ainda são meus. é por eles que me perco entre as letras e sons, e é me perdendo que me encontro e tento me esvaziar a cada dia mais, mesmo sabendo da quimera que é.

aos poucos que passaram por aqui, obrigado. aos que um dia ainda venham, desde já, um valeu. e curtam o som. eu vou por aí, assoviando uma canção, chutando uma pedrinha aqui, outra acolá.

um bai.

Catendê

composição: Jocafi - I.Tavares - Antônio Carlos

Meu catendê ... de lá de China
Luante, meu catendê

Meu catendê ... de lá de China
Luante, meu catendê

Varre a voz o vendaval
Perdido no céu de espanto
Meu barco fere a distância
No disparo da inconstância
Me encontrei sem me esperar
Quanto mais o tempo avança
Mais me perco neste mar
E no rumo do segredo
Caminhei todo o caminho

Maré brava maré mansa
Vou na trilha da esperança
Vou no passo da alvorada
Mar amor enamorada

De segredo e de procura
Fiz do medo o meu amigo
E de força sempre pura
O meu canto se encontrou
E no fim da jornada
Vi meu canto crescer
Há tanto escuro na estrada
Esperando o sol nascer
Vou cantar pela vida
O meu canto de amor
Há tanta dor escondida
Tanto canto sem cantor

Maré brava maré mansa
Vou na trilha da esperança
Vou no passo da alvorada
Mar amor enamorada

"a calma é o último suspiro da poesia", VM.


...

domingo, abril 27

Que Nem Manequim
(Mauricio Tapajós e Paulo César Pinheiro)

Ando falando sozinho
fingindo que é verdade
que te encontro mais tarde
Ando ouvindo calado este som do passado
e uma angustia me invade

(continua...)

segunda-feira, abril 14

Helena, Nazaré, Maria e Jade saem do trabalho com pressa, carregam pesadas ancas por calçadas quentes, atravessam ruas e gentes, sobem morros. Ligam a televisão, oito e meia. Último capítulo. O sofá é sujo, os gritos são altos, as paredes poucas e a vila, grande. O trabalho é trabalho, o mundo é assim. Crucifixos tortos, mandamentos decorados. Mas é o último capítulo e calam as crianças num tapa. Torcem. Gritam. Choram. Enfim, sorriem, emocionadas, corações leves. O final foi feliz. O resto, é ficção.

Último capítulo - um miniconto de Marcelo Spalding

e tinha que acender um cigarro, buscar oxigênio e esperar a noite passar. o dia traria histórias sempre iguais.

quarta-feira, março 26

se quiser ouvir um som ou curtir algum vídeo... não se esqueça de desligar o rádio, é logo ali ao lado. até.


domingo, março 23



Eu já não consigo mais chorar.
A dor não é só sua, baby, e muito menos as noites em claro.
Sei do que está falando.
Eu vago lá fora, sem rumo, em um mundo de cores desconexas e sintéticas e de ruídos dilatados,
Mas, no infinito do quarto, quando apago o cigarro e fecho o livro ou calo o disco, estou tão só quanto você.
E o que resta aos sentidos intumescidos é apenas o seu soluçar que bebe e se farta dos meus pensamentos mais banais. Eu já te vi chorar, baby.
O aprender estar bem é só uma forma de ludibriar o cotidiano e seguir seguindo.
Se me senti o único, saiba que foi amada como nenhuma foi.
Uma coisa é certa, baby, eu não sei ser durão.

terça-feira, março 18

era uma vez
um rio caudaloso
mas de peixes não havia
apenas um sal grosso de tanto
de um mar que corria apertado
entre as margens silenciosas e chorosas
de onde escorriam seiva de encanto
de um azul calmo, infinito
que escolheu caminhar sozinho
pelo rio de bojo estreito, outrora vazio
agora embotado do mais puro pranto.

domingo, março 16




a autobiografia do eric clapton morreu. depois de lida e (re)lida, como sempre faço – o que não é recomendável – o livro se esgotou e vai para o início da fila dos fragmentos sublimados. olhando para trás, talvez esse seja o que mais vai contribuir para a envergadura da madeira da estante, sim, pois os meus livros têm o terrível vício de carregar consigo não apenas a história do autor. eles acabam se tornando também depósitos das emoções que me assolam no período da leitura, assim, as minhas angústias - incrustadas às páginas amareladas dos livros - se misturam às histórias várias, construindo assim um enredo paralelo, misto de ficção e neuroses, dores e alegrias. por isso, é fácil encontrar entres as páginas de um manuel bandeira bilhetes de cinemas, cartas e cartões, bilhetes anotado nas beiradas das folhas, recados, números de telefones e frases anotados em guardanapos ou outro papel e outros tipos de fragmentos da minha vida. essa mania de me misturar aos contos pode até ser uma tentativa de fuga – vã – para um universo outro, paralelo a isso tudo aqui. mas, por favor, meus caros, não me venham apontar o dedo e apressarem em dizer que isso nada mais é do que falta de coragem para encarar as realidades da vida. não o é. é apenas o desejo de ampliar as possibilidades. sei que nem sempre isso é possível. sim, admito. pois existem também os livros inacabados, aqueles dos quais eu não dei conta ou que não permitiram que eu chegasse muito perto. não me perguntem o porquê. estes parecem sorrir de nossa incapacidade de encará-los. é como que dissessem: "ainda sou um mistério para você. sou como seus fantasmas mais íntimos, você sabe que eu estou aí, mas não sabe como se ver livre de mim, você não me toca". coitados. eles nem imaginam que a questão não é ficar livrar deles, que o que mais assola é a vontade de e se desvelar. se misturar, ficção e realidade, para que uma alivie o peso da outra e, ao mesmo tempo, me mostre os caminhos para ir mais fundo no exercício diário de me encontrar.

domingo, março 9


Aceito

*Num poema de flor,
cheiro doce de essência divina,
perfume mágico de cor,
lança e relança palavras escondidas
cheias de carinho e sorriso.

Mas vamos passear nas CORES.
Prefiro o escuro
No escuro não se vê... sorrisos.

Mas se sente e sentir é tudo.


... Então aproveite o escuro e sinta meu sorriso!

*da Caroleta

quarta-feira, março 5

do estadão - Björk pode ser banida da China por defender 'Tibete livre'

Cantora islandesa gritou 'Tibete, levanta a tua bandeira' ao final de um show realizado em Xangai

Ansa

PEQUIM - A cantora islandesa Björk será provavelmente banida da China por tempo indefinido por ter gritado "Tibete livre" ao final de um show realizado na semana passada em Xangai, segundo informou a imprensa de Hong Kong. A imprensa chinesa, controlada pelo governo, censurou a notícia, que foi difundida na China apenas na noite de terça-feira, 4, por uma gravação no site YouTube no qual é possível ouvir Björk gritar "Tibete, Tibete, levanta a tua bandeira". Assista abaixo.

"Foi bastante difícil ouvi-la. Um grupo de chineses se aproximou de mim e me perguntou o que ela havia dito", declarou um fã europeu presente no show. A canção que Björk havia acabado de cantar não fazia referência direta ao Tibete mas continha os versos "declara a independência" e "levanta a tua bandeira".

"Com a aproximação das Olimpíadas, encorajamos todos a falar do Tibete, e, em geral, dos direitos humanos", comentou Anne Holmes, porta-voz da Free Tibet Campaign, grupo de apoio à libertação do Tibete com sede em Londres. "Björk demonstrou aquilo que uma pessoa corajosa pode fazer", acrescentou Holmes.

Os comentários de Björk foram criticados em alguns sites chineses nos quais a cantora foi definida como "uma bruxa" que não sabe nada de Tibete".

sábado, março 1

Quatro garotos palestinos foram assassinados por Israel quando jogavam futebol.

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foto tirada recentemente em Hebrom, na Cisjordânia, Palestina Ocupada.

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Gaza_massacre_feb2008
Vídeo enviado por sabbahblog

"In less than 24 hours between Feb 27 & 28, 2008, Israel killed 30 Palestinians, 10 of them are babies and children."