sexta-feira, janeiro 18

é hoje!

BOLETIM Nº 01


Um olhar para a juventude brasileira
Começa hoje a maratona do cinema brasileiro

A 11ª Mostra de Cinema de Tiradentes abre o calendário audiovisual brasileiro apresentando o panorama da produção brasileira contemporânea. A abertura oficial acontece, às 21h, no Cine-Tenda, com homenagens aos atores Rosanne Mulholland e João Miguel – ambos destaques do momento e em ascensão no cinema brasileiro.
Na seqüência, a exibição em pré-estréia nacional do longa paulista FALSA LOURA, de Carlos Reichenbach.

Até 26 de janeiro, Tiradentes será a capital do cinema brasileiro e o público poderá conferir o que vai ser o cinema de 2008 em obras inéditas e premiadas – ao todo 126 filmes – 27 longas-metragens, 35 curtas e 64 vídeos, em 48 sessões vão ocupar três espaços construídos para atender a programação intensa e gratuita oferecida ao público – o Cine-Teatro, o Cine-Tenda e o Cine Petrobras na Praça.

Mais de 300 convidados – cineastas, atores, pesquisadores, acadêmicos, críticos de cinema, jornalistas e autoridades já confirmaram presença na Mostra Tiradentes, que além da exibição de filmes, vai promover 13 oficinas de cultura, 12 debates de longas, o 9º Seminário do Cinema Brasileiro, exposição, cortejos, shows e teatro de Rua para um público estimado em mais de 35 mil pessoas.

E mais – no sábado, dia 19 de janeiro, a Universo Produção promove o tradicional CORTEJO DA ARTE, em comemoração ao aniversário de Tiradentes com saída da Igreja do Rosário, às 16 horas – um passeio musical pela Rua Direita com destino a Praça Principal vai reunir mais de 100 artistas em clima de carnaval.

À noite, o ponto de encontro é o Tenda Bar Show, anexo ao Cine-Tenda, com programação de shows, após a última sessão de cinema. Hoje o público confere o samba do grupo Linha de Passe. No sábado será a vez da MPB do Lúdica Música.

Site oficial do evento: www.mostratiradentes.com.br

quinta-feira, janeiro 10

Me espere aqui. Vou me levar ali, e não volto mais. Me espere aqui. Deixei de me deixar ir, hoje me trago aos lugares diversos, mas sem reversos. Não. E não adianta esse choro contido-moído desta falsa falta que de mim nunca sentiu. Tome o seu riso macio que corria do rosto leve - guarde-o - e não obriga a mais este que cala - ventre seco. Me espere aqui. Não volto. E não corra, me achar em talvez dias felizes que se façam das manhãs que talvez nasçam com sol?, são chocolates. Não estarei lá. Eu fujo do sol. Sou escuridão à meia luz de velas. Lânguida claridade. Me espere aqui. Eu não volto. Não volte o relógio. Não sei de ser humano que tenha vivido minutos passados, mesmo que neles fosse mais fácil me encontrar. Não vou voltar. Me espera aqui.

terça-feira, janeiro 1


e agora?

ora!, é lidar com a insustentável ilusão da repetição dos meses, dias, horas, minutos, segundos.

gostaria de proibir as medidas de tempo, ou melhor: todas as medidas.

vida longa ao homem atemporal!


relógio, Salvador Dali

quinta-feira, dezembro 27

Esta é a história de um menino que nasceu de um breve semear de amor em uma terra fértil de nome paixão. Semeado fora de época, a muda caducou, a terra rachou e o par de olhos ( que - antes - eram brilhantes) sangrou.

quarta-feira, dezembro 26

domingo, dezembro 16

rememorar III

O que fica ao fim é um silêncio violento, que grita e me obriga a agir como o personagem de um livro qualquer lido na adolescência que sempre repetia a frase: não quero fazer mais nada que não seja resultado de um ato de amor.

rememorar II

O olhar para trás nada mais é que celebrar. É irmos ao encontro de nós mesmos, uma chegada ao fruto de nossa fantasia cultivada sobre tudo aquilo que somos. Mas, não obstante, o que ele nos impõe é, antes de tudo, uma colisão naquilo que não somos, ou, ao menos, naquilo que não esperamos ser. É como se encarássemos um espelho e déssemos de frente com uma pessoa outra, diferente daquela que imaginávamos ser no campo simbólico.

rememorar I

Tocar as lembranças. Exercício simples da nossa existência que na maioria das vezes se torna raro ou inacessível por inúmeras razões. Seja por conta do rodar frenético da mesa do oleiro ou pelos sabores mofados que o passado tenha nos deixado ainda ardendo na boca, e que nos impede de abri-la para revisitar lembranças, embarcar nessa caravana e marchar a passos lentos e firmes, muitas vezes ruidosos, rumo às vicissitudes das coisas, nem sempre é tarefa que se cumpra de bom grado, mas é preciso. Como um navegar de Pessoa.

Diferentemente das tradicionais, para essa viagem não são necessários camelos ou dromedários para o transporte a outros lugares, o meio é um só, a palavra; água, os ouvidos (aos mais atentos, diria, que esse meio de transporte pode ser potencializado pelo olhar ávido por um gesto, por um sinal na face ou por um entoar mais agudo na voz dos narradores, guias) e o destino é a memória, terreno fértil das coisas findas, onde se formulam escolhas e destinos, barreiras e desatinos, um limbo entre o presente vivido e o presente passado.

Uma vez a bordo da palavra, volta não há mais, o embarque é no vento, sem a necessidade de dar tempo ao que já não há. Se permitir que os olhos sejam atendidos por novos velhos caminhos e, em muitos casos, tecer o próprio novo caminho em busca de outros sítios arqueológicos de fósseis líquidos de nós mesmos é a proposta dessa viagem. “Só assim poderemos fincar os pés e escapar do turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambigüidade e angústia do que é ser moderno e parte do universo no qual, de acordo com Marx, ‘tudo que é sólido se desmancha no ar” *.

Os viajantes vão partir, na mochila cordas para amarrar os pés caso o grupo seja acometido por uma tempestade durante as noites frias do deserto e muita vontade de se forjar em um tempo outro visitado apenas pelos nossos narradores, guias.

* Marshall Berman in "Tudo que é sólido se desmancha no ar", 1981.

quarta-feira, novembro 28


Sei lá, mas resolvi procurar o Vandré.

"Olha... E sabe o que eu acho... Eu acho uma coisa só a mais... Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque de Holanda... Merecem o nosso respeito.... A nossa função é fazer canções, a função de julgar nesse instante é do júri que ali esta... Um momento... Por favor, Por favor, Tem mais uma coisa só... Pra vocês, pra vocês... Que continuam pensando, que me apóiam vaiando! Gente... Gente... Por favor, Olha tem uma coisa só... A vida não se resume em festivais..."

Geraldo Vandré (Maracananzinho-1968)

“O problema é que você quer
falar com Geraldo Vandré.

E Geraldo Vandré não existe mais,
foi um pseudônimo que usei até 1968..."


Foto: Mário Luiz Thompson

domingo, novembro 25

Mulher

de teus olhos
nascem meus caminhos
e os destino
que me vão enlaçando
entre os dias e horas
e instantes

de tua presença
brotam meus melhores quereres
minhas mais lindas poesias (quando as tenho)
e meus mais cruéis e sofridos
atos de solidão e desespero - medo

De tua presença
nasce a essencia
que é própria vida
fluindo por meu corpo.

De tua sabedoria
brotam meus mais sinceros motivos
para querer te merecer.
Reinventar cheiros, cores, formas
paladares e sons
para ser tudo
conforme teu gosto.

De tua ternura materna e amor
nascem meus sonhos,
minhas lágrimas, meus sorrisos, meus prazeres, minhas noites,
minha paz.

De tua existência
nascem os fluídos
que me fazem existir.
Não me faltes nunca,
nem um segundo de minha vida.

segunda-feira, novembro 19

Música: Breu
Álbum: Outros...

    Ando procurando pelo seu olhar
    Clareou o dia você desapareceu
    Na estrada, no vento ou qualquer outra rota estelar
    Na ilha deserta ou no inverno do norte europeu

    Mergulhando ruas, beijos ao luar
    Velejando bocas, loucas pra beijar
    Mar e o oceano, e a onda que veio e bateu
    Lembra a distância entre o seu mundo e o meu

    O aluguel venceu
    Meu time jogou
    Tudo aqui é seu
    E você não ligou
    De manhã choveu
    O carro enguiçou
    O sinal fechou
    O amor não percebeu

    Passo todo dia e noites a vagar
    Solto no descaso, preso em seu mirar
    Na dança do tempo só você, meu bem, é que não viu
    Durmo sabendo que você não vai voltar

    O aluguel venceu
    Meu time jogou
    Tudo aqui é breu
    E você não ligou
    De manhã choveu
    O carro enguiçou
    O sinal fechou
    O amor não percebeu

    O aluguel venceu
    Meu time jogou
    Tudo aqui é breu
    E você não ligou
    De manhã choveu
    O carro enguiçou
    O sinal fechou
    O amor não percebeu

terça-feira, novembro 13

Este, este e este estão na


E ela se ia como não houvesse mais.

Carregada pelo sereno

das manhãs, seguia pelo caminho que nem mais havia.


Caminhava em


um


tempo
outro, diferente destas horas
corridas e insanas que me levam.

E a falsa trilha, toda forrada de folhas
úmidas do que é doce das madrugadas,

sorria ao sentir os pés pequeninos e

macios da menina de ontem que hoje atiça os olhos ávidos

de
um arremedo

mal

acabado de

h
o
m
e
m
.
.
.
.

quarta-feira, novembro 7

ora! Nada de dramas
e nem me venha os melodramas
viver mesmo
é se emaranhar nas tramas
sem manhas.

de resto, a vida é tragédia!

o que é melhor
vamos combinar
assim temos o que filmar.

sábado, novembro 3

Costura Da Vida

Eu tentei compreender
A costura da vida
Me enrolei pois
A linha era muito comprida

Mas como é que eu vou fazer
Para desenrolar
Para desenrolar

Se na linha do céu sou estrela
Na linha da terra sou rei
Na linha das águas
Sou triste
Pelo fogo que um dia apaguei

Na linha do céu sou estrela
Na linha da terra sou rei
Mas na linha do fogo
Sou triste
Pelos mares que não naveguei

Mas como é que eu vou fazer
Para desenrolar
Para desenrolar


Sérginho Pererê

e o corpo se debatia contra a parede
uma máquina demolidora,
cadeiras, mesas, copos ao chão
triste e melancólica melodia
sinfonia da morte.
corpo agoniza
nos olhos vidrados,
brilho mórbido de não mais haver
onde só se pode ver
rastilho de uma escuridão que se desfaz ao longe
a luz da luminária
que antes clareava sonhos
agora evidencia o corpo retesado
e dentes cerrados
dentro da boca fria
pálida
e morta